Empresários e profissionais recém-formados em escolas técnicas relatam crescimento da chamada “economia da liberdade” nos Estados Unidos, movimento que valoriza habilidade prática e remuneração por mérito em vez de diplomas universitários.
O RedBalloon, plataforma de empregos, e a PublicSquare divulgaram seu Freedom Economy Index trimestral antes do relatório de emprego de agosto. O estudo mostra que a pequena e média empresa saiu do modo de sobrevivência e iniciou fase de expansão. Mais de 40% dos entrevistados planejam aumentar o quadro de funcionários, mas afirmam que a escassez de mão de obra qualificada persiste. Preços elevados continuam sendo a principal preocupação.
Andrew Crapuchettes, fundador e CEO do RedBalloon, explicou que empreendedores buscam colaboradores capazes de entregar resultado imediato. Ele critica a formação universitária que, segundo ele, “nem sempre desenvolve competências concretas” e pode gerar choque cultural dentro das empresas.
“Quando veem um exemplo de sucesso, as pessoas querem seguir. O mercado está voltando ao foco no mérito”, afirmou.
A cabeleireira nova-iorquina Briana Delvecchio e a proprietária de salão Ashley DiMatteo destacam que a formação profissional oferece retorno rápido. “Saí da escola pronta para trabalhar e já recebendo salário, enquanto amigos graduados ainda buscavam o próximo passo”, contou Delvecchio. Para DiMatteo, a instrução prática fortalece competências de comunicação, gestão de tempo e postura profissional.
Crapuchettes iniciou carreira aos 13 anos programando computadores e, aos 16, foi contratado por uma empresa de tecnologia no Vale do Silício. “Enquanto colegas se preparavam para a faculdade, eu já tinha renda própria”, lembrou. Aos 21, viajava pelo mundo dando palestras e treinamentos.
Imagem: Kristen Altus FOXBusiness via foxbusiness.com
DiMatteo segue tradição familiar de empreendedorismo. “Observei a liberdade que meu pai tinha ao comandar o próprio negócio e quis o mesmo para mim”, disse. Ela vê falta de empenho entre alguns candidatos mais jovens: “Muitos querem apenas entrar, receber e ir embora, sem paixão por aprender”.
Segundo Crapuchettes, instituições de ensino superior precisam reconsiderar o currículo para atender às demandas das empresas. Ele prevê que algumas podem fechar em cinco a dez anos se não se adaptarem. O executivo também convoca famílias a valorizarem profissões técnicas como encanador ou eletricista, essenciais para a economia.
Para Delvecchio, a indústria da beleza se mantém sólida independentemente dos ciclos econômicos. “Com dedicação e habilidade, é possível conquistar liberdade financeira, agenda flexível e carreira própria”, concluiu.