Miami (EUA) – A JPMorgan Chase admitiu, em documento judicial, ter encerrado contas bancárias do ex-presidente Donald Trump e de empresas ligadas a ele em fevereiro de 2021, poucas semanas depois da invasão ao Capitólio em 6 de janeiro. A confirmação veio à tona em meio a um processo de US$ 5 bilhões movido por Trump contra o banco e seu CEO, Jamie Dimon, em um tribunal estadual da Flórida.
Dan Wilkening, diretor administrativo de banking global da JPMorgan, declarou à Justiça que cartas datadas de 19 de fevereiro de 2021 informaram o término da relação com:
Em uma das correspondências, enviada a Jeffrey McConney, executivo da Trump Corporation, o banco afirmou: “decidiu encerrar seu relacionamento bancário” com a companhia e entidades afiliadas. Outra carta, endereçada diretamente a Trump, comunicou que a instituição poderia considerar que “os interesses do cliente já não são atendidos” e, por isso, encerraria a conta.
Segundo Wilkening, a JPMorgan trabalhou com os clientes para movimentar os saldos remanescentes para outras instituições, conforme previsto nos contratos. Trump e suas empresas tiveram até 19 de abril de 2021 para transferir “centenas de milhões de dólares” antes do fechamento definitivo.
Os advogados de Trump alegam que as contas foram “ilegalmente encerradas por discriminação política” e que o ex-presidente foi incluído em uma “lista negra”. A defesa aponta ainda que, ao tentar migrar recursos, o Bank of America teria se recusado a aceitar grandes depósitos.
Conforme os acordos apresentados ao tribunal, a JPMorgan pode encerrar contas com ou sem justificativa, desde que notifique o cliente com pelo menos 30 dias de antecedência. Os contratos também autorizam o fechamento por:
Essas políticas priorizam conformidade regulatória, prevenção à lavagem de dinheiro, combate ao financiamento do terrorismo e atendimento a sanções governamentais.
Imagem: Alexandra Koch FOXBusiness via foxbusiness.com
No processo, Trump acusa o banco e Dimon de difamação comercial, violação da lei de práticas comerciais desleais da Flórida, descumprimento de dever de boa-fé e solicita julgamento por júri.
Em 13 de fevereiro de 2025, em depoimento no Capitólio, Dimon afirmou: “Não desbancamos pessoas por afiliações políticas ou religiosas”, mas reconheceu que regras “onerosas” podem levar ao encerramento de contas e defendeu a revisão dessas normas.
Em outro processo, a Trump Organization pediu reparação contra o Capital One, alegando que o banco encerrou mais de 300 contas em 2021 “sem justificativa”. A instituição nega motivo político para a decisão.
A JPMorgan Chase não se pronunciou imediatamente sobre o caso.