O JPMorgan Chase comunicou ao então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à Trump Organization, em 19 de fevereiro de 2021, que encerraria todas as contas mantidas pelo grupo no banco. As correspondências vieram à tona nesta sexta-feira (20) em um processo de US$ 5 bilhões (R$ 26,5 bilhões) movido por Trump contra a instituição e o presidente-executivo Jamie Dimon.
Depois da invasão ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 por apoiadores de Trump, diversas companhias se distanciaram do ex-mandatário. Entre elas, dois escritórios de advocacia que o representavam, a Trump Organization e a PGA of America, que retirou do clube de Trump em Bedminster (Nova Jersey) o direito de sediar o Campeonato PGA de 2022.
Nas cartas enviadas em fevereiro de 2021, o JPMorgan não apresentou justificativa específica para o cancelamento das contas. O banco afirmou apenas que, em alguns casos, pode concluir que manter determinado relacionamento deixa de atender aos interesses do cliente ou da instituição.
Procurados, nem assessores do JPMorgan nem os advogados do escritório Jones Day, que defende o banco, comentaram o assunto. A instituição já havia declarado, em ocasiões anteriores, que considera a ação judicial de Trump infundada.
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Para a equipe jurídica do ex-presidente, a divulgação das cartas confirma a acusação de que o banco teria encerrado as contas de forma deliberada e ilegal, causando “danos financeiros avassaladores” a Trump, seus familiares e seus negócios. O processo sustenta que o JPMorgan violou suas próprias políticas ao isolar o cliente por motivos políticos.
Os documentos foram anexados ao processo como parte de uma petição em que o JPMorgan solicita a transferência da ação da corte federal de Miami para Nova York. No pedido, o banco argumenta que os vínculos do caso com o estado de Nova York são “predominantes”.