Gestor da Sparta Capital diz que juros elevados encobrem riscos e pressionam renda fixa

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Os spreads de crédito no mercado brasileiro atingiram níveis historicamente baixos, cenário que exige cautela de investidores, afirma Ulisses Nehmi, CEO da Sparta Capital. Segundo o executivo, taxas de juros elevadas não representam necessariamente oportunidade para quem atua em renda fixa.

Durante participação no programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, Nehmi contou que costuma ser questionado se prefere juros altos. “Se conhecessem o meu negócio, diriam o contrário; não vejo a hora de os juros começarem a cair”, afirmou.

Crédito comprimido e risco de liquidez

Para o gestor, o principal perigo no segmento high grade não é calote, e sim liquidez. “Quando o mercado penaliza os preços, ocorre efeito manada. Liquidez é risco para o investidor amador, mas oportunidade para o profissional”, disse. A Sparta tem adotado postura mais conservadora, aguardando momentos em que vendedores pressionados geram descontos em ativos de qualidade.

Divergência estrutural

Nehmi observa que a demanda por renda fixa aumentou com a alta dos juros e incentivos fiscais, como a isenção de Imposto de Renda em debêntures incentivadas. “Com taxa a 15%, a isenção adiciona de dois a três pontos percentuais de retorno”, estimou. Entretanto, a ausência de instrumentos para posições vendidas em crédito no Brasil torna os spreads voláteis: “Aqui você basicamente só pode ficar comprado”.

Esse descompasso cria um paradoxo, segundo ele. De um lado, a procura intensa comprime prêmios; de outro, juros mais altos elevam o custo da dívida corporativa e pioram indicadores de risco. “Com taxa mais alta, o prêmio deveria ser maior para compensar, mas ocorre o oposto”, afirmou.

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Imagem: infomoney.com.br

Evolução da gestora

A Sparta Capital nasceu há mais de três décadas a partir de operações de hedge no agronegócio feitas pelo pai de Nehmi. O executivo trabalhou na mesa proprietária do Santander antes de ingressar na gestora, em 2007. Por volta de 2010, o foco se voltou à renda fixa; hoje, a casa administra R$ 22 bilhões.

O time soma 40 profissionais, dos quais 15 são sócios. Nehmi explica que, anualmente, ocorre um mecanismo de redistribuição de participação: “Sou diluído todos os anos, mas feliz”, brincou, destacando a filosofia de parceria e meritocracia que sustenta o negócio.

Apesar dos alertas sobre o atual momento, o gestor reforça que há janelas de oportunidade para quem mantém disciplina e observa liquidez com atenção.

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