A curva de juros futuros brasileira virou para baixo na reta final desta quinta-feira, 19 de março de 2026, e encerrou a sessão em queda em todos os vencimentos. O ajuste acompanhou o recuo dos rendimentos dos Treasuries dos Estados Unidos e a virada do petróleo Brent para território negativo.
• DI para janeiro de 2027: 14,095% (ante 14,200% no ajuste anterior); máxima intradiária de 14,340%.
• DI para janeiro de 2030: 13,775% (ante 13,845%).
• DI para janeiro de 2036: 13,910% (ante 13,880%); chegou a 14,200% na máxima do dia.
No exterior, os yields dos títulos do Tesouro norte-americano recuaram após uma leve trégua nas tensões geopolíticas e a queda do petróleo. O retorno do Treasury de dois anos fechou a 3,795% (3,743% no ajuste anterior), enquanto o título de dez anos terminou a 4,251% (4,257% na véspera).
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que, a pedido do presidente dos EUA, Donald Trump, o país evitará ataques à infraestrutura energética do Irã. Ele também afirmou que as defesas aéreas iranianas perderam eficácia e que Teerã não dispõe mais de capacidade para enriquecer urânio ou produzir mísseis balísticos.
Imagem: Liliane de Lima via moneytimes.com.br
Paralelamente, Washington concedeu nova licença geral que estende a isenção para a venda de petróleo bruto e derivados de origem russa embarcados a partir de 12 de março. Em reação, os contratos futuros do Brent inverteram sinal e recuaram mais de 2%.
Durante a maior parte do pregão, as taxas dos DIs chegaram a subir cerca de 30 pontos-base, refletindo cautela com a política monetária global diante da recente disparada do petróleo. O Banco da Inglaterra manteve os juros, mas alertou para pressões inflacionárias decorrentes do conflito no Oriente Médio, acenando com possíveis altas. O Banco Central Europeu também preservou sua taxa em 2%, mas elevou a projeção de inflação da zona do euro para 2,6% em 2026.
Com o temor de novo choque inflacionário, o mercado norte-americano passou a descartar cortes de juros pelo Federal Reserve em 2026. No Brasil, operadores ajustaram apostas para que o Banco Central mantenha a Selic em 14,75% na reunião de abril, caso a incerteza ligada à guerra persista.