Juros futuros disparam mais de 30 pontos-base com petróleo a US$ 100; DI para janeiro de 2027 encosta em 14,01%

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A curva de juros futuros brasileira avançou mais de 30 pontos-base nesta quinta-feira (12), pressionada pela escalada do petróleo e pela expectativa de cortes mais contidos nas taxas básicas, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

Taxas atingem máximas em vários vencimentos

Perto do encerramento dos negócios, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 marcou 14,01% na máxima intradiária, maior patamar desde 20 de outubro de 2025, e fechou a 13,99%, ante 13,71% no ajuste anterior.

Nos prazos mais longos, o DI para janeiro de 2030 encerrou em 13,680% (de 13,365%), enquanto o DI para janeiro de 2036 avançou para 13,895% (de 13,630%).

Petróleo supera US$ 100 e dólar avança

Os contratos do Brent para maio fecharam em alta de 9,21%, a US$ 100,46 o barril na ICE, em Londres. A disparada ocorreu após o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, defender o fechamento de bases norte-americanas na região e manter o Estreito de Ormuz – rota que escoa cerca de um quinto do petróleo mundial – bloqueado como forma de pressão sobre Estados Unidos e Israel.

No sábado (28), ataques conjuntos de EUA e Israel ao Irã resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei e no fechamento temporário do estreito, intensificando temores sobre oferta global de petróleo.

Influência externa nos rendimentos

Nos Estados Unidos, o rendimento do Treasury de 10 anos subiu de 4,106% para 4,261%, reforçando a percepção de juros altos por mais tempo e contribuindo para a reprecificação dos DIs no Brasil.

Inflação brasileira surpreende

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,70% em fevereiro, após alta de 0,33% em janeiro. Em 12 meses, a taxa chegou a 3,81%, acima das estimativas de mercado. Analistas classificaram a composição do índice como pior que o previsto.

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Imagem: Liliane de Lima via moneytimes.com.br

Mercado revê apostas para a Selic

Após os dados de inflação, a curva a termo passou a indicar 84% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual na Selic, de 15% para 14,75% ao ano, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para quarta-feira (18). A chance de um ajuste de 0,50 ponto caiu para 16%. A curva já embute Selic terminal de 13% no fim de 2026, superior aos 12,13% projetados no Relatório Focus.

Pacote para conter preços de combustíveis

Para amenizar o impacto do petróleo, o governo zerou PIS/Cofins sobre o diesel na importação e comercialização, ofereceu subvenção ao produto e instituiu imposto de 12% sobre exportações de petróleo. A estimativa oficial é de redução de R$ 0,64 por litro nas refinarias e renúncia de R$ 30 bilhões, considerada manejável por especialistas.

Expectativa de cortes nos EUA é adiada

No exterior, operadores passaram a ver dezembro como mês mais provável para o início da flexibilização monetária pelo Federal Reserve: 56,6% de chance de corte na última reunião de 2026, segundo a ferramenta do CME Group. Pela manhã, 57,2% dos traders ainda apostavam em setembro; no dia anterior, a opção majoritária era julho.

Com o petróleo acima de US$ 100, inflação doméstica acima do previsto e reavaliação das trajetórias de juros aqui e lá fora, o mercado elevou significativamente os rendimentos dos DIs em todos os vencimentos.

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