A curva de juros futuros brasileira fechou em forte alta nesta terça-feira, 24 de março de 2026, impulsionada pela divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e pela escalada das tensões no Oriente Médio, que voltou a pressionar os preços do petróleo.
DI janeiro/2027 encerrou praticamente estável, a 14,160% ao ano, contra 14,150% no ajuste anterior, depois de atingir 14,300% na máxima intradiária.
DI janeiro/2029 avançou para 13,815%, ante 13,721% no dia anterior; na máxima do pregão, alcançou 14,030%.
DI janeiro/2036 terminou em 13,935%, frente a 13,880% na véspera, após tocar 14,125% no pico do dia.
Na semana passada, o Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. A ata divulgada hoje reiterou que a inflação permanece acima do centro da meta de 3,0%, mas dentro da banda de 1,5% a 4,5%. O documento destacou que a política monetária continua contribuindo para a desaceleração dos preços e, pela primeira vez, citou explicitamente o conflito no Oriente Médio como fator adicional de risco, devido ao impacto sobre o barril do petróleo.
Para analistas, o tom do texto foi considerado mais suave. Segundo Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, o colegiado avalia manter o plano de flexibilização e admite cortes maiores se o cenário permitir, embora a base de mercado ainda aponte reduções graduais de 25 pontos-base.
Imagem: Liliane de Lima via moneytimes.com.br
No exterior, os rendimentos dos Treasuries também subiram. O título de dois anos, sensível à política monetária norte-americana, fechou a 3,897% (3,831% no ajuste anterior). O retorno do papel de dez anos avançou para 4,364%, ante 4,336%.
As oscilações nos juros foram intensificadas por sinais contraditórios sobre uma possível trégua entre Estados Unidos e Irã. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, negou qualquer negociação, chamando de “fake news” as declarações do presidente Donald Trump sobre um cessar-fogo de cinco dias. Mais tarde, Trump afirmou que Washington “fala com as pessoas certas” em Teerã para pôr fim às hostilidades.
Com a incerteza, o Brent para junho saltou 4,49% e voltou a superar a marca de US$ 100, fechando a US$ 100,23 o barril na ICE de Londres.
O cenário de juros domésticos mais altos, petróleo caro e conflito prolongado mantém os investidores cautelosos quanto ao ritmo dos próximos cortes da Selic.