A curva de juros brasileiros voltou a abrir na quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, depois de uma sequência de quedas, impulsionada pela expectativa de que o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, seja indicado para a Diretoria de Política Econômica do Banco Central.
Os contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) mais longos concentraram a pressão. No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 encerrou a 12,705%, alta de 5 pontos-base em relação ao ajuste anterior (12,653%). O DI para janeiro de 2035 subiu 8 pontos-base, para 13,435%.
Parte dos investidores aproveitou o movimento para realizar lucros após o recuo recente dos prêmios. O ajuste ocorreu em meio à queda superior a 2% do Ibovespa, que também foi afetado por vendas para realização de ganhos.
No exterior, os rendimentos dos Treasuries mostravam acomodação enquanto os mercados avaliavam o possível nome de Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve. Por volta das 16h33, o juro do Treasury de dois anos recuava 1 ponto-base, a 3,557%, e o retorno do título de dez anos mantinha estabilidade em 4,276%.
Mello, economista graduado e mestre pela PUC-SP e doutor pela Unicamp, é visto como heterodoxo pelos agentes de mercado, que temem uma orientação mais dovish na política monetária do BC. Informações publicadas na noite anterior indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve confirmar seu nome para a diretoria.
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No mesmo pacote de nomeações, o economista Tiago Cavalcanti, professor da Fundação Getulio Vargas e da Universidade de Cambridge, deve ser indicado para a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução.
Com a expectativa de mudanças na cúpula do Banco Central e oscilações nos mercados externos, os prêmios dos DIs a partir de 2028 encerraram o dia em alta, refletindo cautela adicional dos investidores.