O Banco de Brasília (BRB) anunciou na noite desta quinta-feira (26) que obteve decisão liminar para bloquear e arrestar ações de sua própria emissão mantidas por pessoas físicas e jurídicas investigadas no chamado caso Master.
A ordem partiu da Vara Cível da Circunscrição Especial Judiciária de Brasília e foi comunicada pelo BRB por meio de fato relevante.
O bloqueio atinge acionistas citados na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura a venda de R$ 12 bilhões em créditos falsos do Banco Master ao BRB e suspeitas de irregularidades na tentativa de venda do Master, controlado por Daniel Vorcaro, ao banco estatal.
Investigação interna realizada pelo BRB apontou que Vorcaro, seus sócios e o empresário João Carlos Mansur, dono da Reag Investimentos, teriam adquirido ações do banco de forma oculta antes da oferta de compra do Master pelo BRB.
Segundo o despacho, além do bloqueio das participações, foram acionados os agentes de custódia para impedir qualquer negociação dos papéis enquanto o processo estiver em andamento. A medida cautelar busca resguardar patrimônio que possa ser usado para cobrir eventuais prejuízos decorrentes das operações investigadas. O Banco Master encontra-se em liquidação extrajudicial.
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Conforme o formulário de referência do BRB relativo a 2025, o fundo Borneo — ligado à rede do Master — detém 3,16% das ações do banco. Mansur possui 4,55%. Depois da liquidação do Willbank, também integrante do grupo Master, a Mastercard assumiu 6,9% dos papéis, que haviam sido dados em garantia em operações de pagamento.
Em 26 de janeiro, a Folha revelou que o BRB pretendia lançar um plano de recuperação de ativos para compensar perdas potenciais associadas à compra de carteiras de crédito consignado fraudulentas do Banco Master.