NOVA YORK, 27 mar (Fox Business) — O presidente-executivo da BlackRock, Larry Fink, afirmou em sua carta anual aos acionistas que o investimento de longo prazo tem potencial para produzir um “milagre cívico”, fortalecendo simultaneamente a democracia e a economia.
Fink destacou que, em julho, os Estados Unidos celebrarão 250 anos de independência, coincidindo com o bicentenário e meio da publicação de “A Riqueza das Nações”, de Adam Smith, em 1776. Para o executivo, o desenvolvimento paralelo do sistema democrático e do capitalismo criou uma relação de interdependência nas últimas duas décadas e meia.
O dirigente lembrou que, em 1776, praticamente não existiam mecanismos que conectassem cidadãos comuns ao crescimento econômico. Hoje, estimou, o valor dos mercados de capitais globais — públicos e privados — se aproxima de US$ 300 trilhões, com grande parte dessa expansão registrada nos últimos 40 anos.
“Quando as pessoas investem suas economias por décadas, e não por dias, esse capital financia empresas, infraestrutura e empregos”, escreveu Fink. “Nesse ciclo, o futuro do investidor e o futuro da nação tornam-se ligados.”
O executivo contou que sua visão foi moldada pela vivência familiar. Seu pai mantinha uma loja de sapatos e sua mãe era professora de inglês nos anos 1950 e 1960. Mesmo com recursos limitados, o casal poupou e aplicou dinheiro no momento em que a construção do sistema de rodovias interestaduais e o boom industrial impulsionavam a economia norte-americana. Segundo Fink, os rendimentos obtidos ao longo das décadas permitiram que os pais vivessem de forma confortável até passarem dos 100 anos.
Imagem: Eric Revell FOXBusiness via foxbusiness.com
Fink afirmou que o “milagre cívico” do investimento de longo prazo continua se desenrolando em diversos países e que a missão da BlackRock é ampliar o acesso aos mercados, possibilitando que mais pessoas se beneficiem do crescimento que ajudam a financiar.
“Estender esse processo — para que mais cidadãos possam investir no desenvolvimento de seus países e compartilhar seus frutos — é o desafio diante de nós”, concluiu.