O Brasil encerrou 2025 com um volume inédito de investimentos em infraestrutura contratados por meio de concessões e parcerias público-privadas (PPPs). Foram realizados 75 leilões que envolveram 98 ativos e garantiram R$ 243,8 bilhões em contratos, valor 31% superior ao registrado em 2024. Do total, R$ 183,1 bilhões destinam-se a obras e equipamentos (Capex) e R$ 60,7 bilhões a operação e manutenção (Opex), com expectativa de gerar mais de 1,6 milhão de empregos.
O segmento rodoviário concentrou o maior montante: 20 leilões movimentaram R$ 106,6 bilhões para a administração de 8,5 mil quilômetros de estradas, com potencial de criar 1,3 milhão de postos de trabalho. Para efeito de comparação, o orçamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) em 2025 foi de R$ 15 bilhões.
O setor de saneamento realizou oito leilões, somando R$ 44,5 bilhões — aumento de 78% sobre o ano anterior. Os projetos devem beneficiar 16,1 milhões de pessoas e gerar aproximadamente 255 mil empregos. Estudos apontam que cada real investido em água e esgoto pode reduzir em até R$ 5 os custos do sistema de saúde.
Foram contratados oito projetos de infraestrutura social, totalizando R$ 12,5 bilhões. O pacote inclui quatro PPPs para escolas e creches, dois hospitais, um centro socioeducativo e um presídio. Nas parcerias voltadas à educação, a iniciativa privada assume a gestão de prédios, equipamentos e serviços, enquanto a atividade pedagógica permanece sob responsabilidade do poder público.
Sete leilões portuários somaram R$ 5,9 bilhões. Entre eles, destacou-se a primeira concessão de um canal de acesso marítimo no país, no Porto de Paranaguá, considerado passo decisivo para destravar gargalos logísticos e viabilizar futuros projetos em hidrovias.
Na mobilidade urbana, o principal empreendimento foi o túnel Santos-Guarujá, estimado em R$ 6,8 bilhões. A área de iluminação pública licitou quatro projetos avaliados em R$ 443,1 milhões, com cobertura para cerca de 930 mil moradores. Já o setor florestal concedeu cinco áreas que somam 4,5 bilhões de metros quadrados destinados a manejo sustentável e reflorestamento.
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A região Sudeste liderou o ranking de recursos contratados, com 25 leilões que ultrapassaram R$ 91,2 bilhões. O Sul registrou 15 certames e mais de R$ 37,7 bilhões; o Centro-Oeste, 15 leilões e cerca de R$ 49 bilhões; o Norte, 10 leilões e acima de R$ 29 bilhões; e o Nordeste, seis leilões que concentraram mais de R$ 20 bilhões.
Segundo especialistas, avanços em integridade, transparência e mecanismos de controle deram maior previsibilidade aos projetos, favorecendo a participação do capital privado. Esse cenário permitiu, inclusive, renegociar contratos e efetuar trocas de controle em ativos problemáticos, como ocorreu na rodovia Fernão Dias.
Com o resultado de 2025, agentes públicos e privados destacam a importância de manter o ritmo para que o país alcance um volume de investimentos equivalente a 4% ou 5% do Produto Interno Bruto nos próximos anos, meta considerada necessária para reduzir gargalos históricos de infraestrutura.