Liquidação do Banco Master expõe fragilidades de capital e liquidez no BRB

Mercado Financeiro1 mês atrás75 Visualizações

A dissolução do Banco Master e a descoberta de que o Banco de Brasília (BRB) adquiriu cerca de R$ 13 bilhões em créditos considerados falsos colocaram a instituição controlada pelo governo do Distrito Federal sob forte escrutínio. Agências de classificação de risco revisam notas, enquanto analistas e investidores questionam a capacidade de capitalização e a liquidez do banco.

Carteiras substituídas sob suspeita

Segundo autoridades, mais de R$ 10 bilhões desses créditos já foram liquidados ou trocados. Ainda assim, há incerteza sobre a qualidade dos ativos que entraram no lugar, incluindo empréstimos a empresas, fundos de investimento em ações, títulos públicos brasileiros e carteiras originadas tanto pelo Master quanto pelo Will Bank, fintech controlada majoritariamente pelo Master.

“O volume da carteira que precisou ser substituída revela falhas de controle e de gerenciamento de risco”, afirmou Daniel Girola, analista sênior da Moody’s.

Pressão sobre as notas de crédito

Após sucessivos rebaixamentos motivados pelo colapso do Master, o BRB permanece em revisão para possíveis novos cortes. A Moody’s retirou as classificações do banco no início de dezembro, a pedido da própria instituição.

Capital enxuto

O índice de capital principal (CET1) do BRB estava em 8,1% em junho, pouco acima do mínimo regulatório de 7%. Para efeito de comparação, o Itaú registrava 13,1% e o BTG Pactual, 12% no mesmo período. Agências de rating destacam que a baixa rentabilidade recorrente do banco reduz a margem para absorver perdas.

Troca de comando e investigação interna

O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado após a liquidação do Master e declarou disposição para cooperar com as autoridades. O banco contratou uma investigação independente sobre as operações com o Master e informou que o Banco Central acompanhou a substituição dos ativos. O conselho de administração também aprovou a participação do BRB como assistente de acusação no processo contra o Master.

Crescimento rápido, lucro limitado

Tradicionalmente responsável pela folha de pagamento dos servidores do Distrito Federal, o BRB iniciou uma expansão nacional em 2019, ano em que Costa assumiu a presidência. A estratégia impulsionou linhas como crédito consignado e financiamento imobiliário, financiadas por depósitos de investidores pessoas físicas e depósitos judiciais — fonte considerada barata e abundante. A Standard & Poor’s calcula que o retorno sobre o patrimônio de 26% registrado no primeiro semestre ficaria próximo de 6% sem a venda de carteiras usadas para reforçar capital.

Liquidação do Banco Master expõe fragilidades de capital e liquidez no BRB - Imagem do artigo original

Imagem: redir.folha.com.br

Em janeiro de 2024, o banco tentou lançar uma oferta de ações que não avançou. Depois, realizou dois aumentos de capital que somaram R$ 1 bilhão, sem divulgar os investidores participantes.

Possível aporte do acionista controlador

O governo do Distrito Federal, maior acionista do BRB, informou que aguardará a conclusão das apurações para avaliar a necessidade de capitalizar a instituição. A Fitch, contudo, questiona a efetividade de eventual ajuda estatal, citando a complexidade política e jurídica do caso.

Efeitos colaterais

A crise do Master também atinge outras empresas do grupo. O Will Bank enfrenta dificuldades, mas escapou da liquidação e segue em negociações de venda, que atraíram o fundo soberano Mubadala. Já o Banco Pleno, antigo Voiter, comprado pelo Master em fevereiro de 2024 e revendido ao ex-sócio Augusto Lima, viu a remuneração de seus títulos chegar a 165% do CDI. A instituição afirma operar normalmente e sem vínculo societário com empresas sob investigação.

Ainda não há definição sobre o impacto final do episódio nos níveis de capitalização e na capacidade de captação do BRB.

0 Votes: 0 Upvotes, 0 Downvotes (0 Points)

Deixe um Comentário

Comentários Recentes

Pesquisar tendência
Redação
carregamento

Entrar em 3 segundos...

Inscrever-se 3 segundos...

Todos os campos são obrigatórios.