Uma eventual liquidação extrajudicial do Banco Master Múltiplo, controlador da fintech Will Bank, pode elevar para R$ 49 bilhões o valor que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) teria de desembolsar para honrar Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pelo Grupo Master.
Segundo o FGC, clientes do Will Bank possuem cerca de R$ 7 bilhões cobertos pela garantia, montante que se somaria aos aproximadamente R$ 41 bilhões já previstos para investidores em CDBs do Banco Master. A projeção foi revelada pelo Broadcast, do Estadão, e confirmada ao Valor Investe pelo próprio fundo.
O pagamento integral das garantias representaria a utilização de quase um terço da reserva de liquidez do FGC, atualmente de R$ 122 bilhões, formada pelas contribuições das instituições financeiras associadas. Além dos títulos do Banco Master, a conta inclui papéis emitidos pelo Letsbank.
Na terça-feira, o Banco Central determinou a liquidação de parte do conglomerado Master, mas manteve o Will Bank sob o Regime de Administração Especial Temporária (RAET). O banco digital integra o Banco Múltiplo Master desde a compra de seu controle, concluída em 2024.
O BC decidiu preservar o funcionamento do Will Bank porque avalia haver “possibilidade concreta de solução” para a instituição. Durante o RAET, o banco continua operando normalmente enquanto busca regularizar suas atividades ou negociar uma fusão ou aquisição.
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Caso o RAET não obtenha sucesso, o regulador poderá decretar a liquidação do Will Bank, ampliando o montante que o FGC precisaria cobrir. Entre as alternativas em análise, o fundo soberano Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos, aparece como potencial comprador.
Se não houver acordo de mercado, a União pode assumir o controle do banco, ou o processo poderá evoluir para nova liquidação extrajudicial.
Conforme o último balanço do Banco Master, o Will Bank atendia 10,5 milhões de clientes em 2024. No mesmo ano, empresas ligadas ao grupo captaram R$ 10,8 bilhões em CDBs, incluindo Will Bank, Banco Voiter (atualmente Banco Pleno, que deixou o conglomerado em setembro) e Letsbank.