São Paulo – O jornalista norte-americano Chris Hayes, 47, lança no Brasil “Capitalismo da Atenção: Como a Atenção se Tornou o Recurso Mais Escasso do Mundo” (Globo Livros, selo Livros de Valor), obra que descreve a disputa pelo foco do público como o principal motor da economia digital.
Hayes compara alertas de celular ao “canto das sereias” relatado na Odisseia: estímulos que hipnotizam e desviam o usuário de suas metas. A metáfora também aparece no título original, “The Sirens’ Call”, em que a palavra “siren” significa tanto sereia quanto sirene.
Citando o psicólogo William James — “Minha experiência é aquilo em que aceito prestar atenção” —, o autor afirma que a profusão de mensagens fragmentadas “roubou” o domínio da mente humana. Para ele, a capacidade de concentração tornou-se bem coletivo explorado por grandes plataformas.
O livro sustenta que, assim como a Revolução Industrial transformou trabalho físico em capital, a era digital converteu atenção em matéria-prima lucrativa para empresas como Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta. Likes, compartilhamentos e visualizações definem hoje o valor de mercado dos espaços publicitários.
Hayes observa que figuras como Donald Trump e Elon Musk dominam essa lógica. Trump criou em 2022 a rede Truth Social após ser banido do Twitter; Musk comprou a plataforma — rebatizada de X — no fim do mesmo ano, tornando-a privada e menos sujeita a moderação. Ambos, diz o autor, utilizam seus canais para pautar debates e distrair a opinião pública de temas sensíveis.
Imagem: redir.folha.com.br
Sem apresentar fórmula única, Hayes defende a autodisciplina contra distrações como caminho para preservar saúde mental. Ele relata ter testado meditação sem êxito conclusivo, mas reforça que “ter foco é ter poder”.
“Capitalismo da Atenção” tem 272 páginas e custa R$ 64,90 na edição impressa e R$ 44,90 no formato digital.