Lula condena intervenção militar dos EUA na Venezuela em artigo no “New York Times”

Mercado Financeiro1 mês atrás62 Visualizações

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a recente ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela e a prisão do mandatário venezuelano como “mais um capítulo lamentável na contínua erosão do direito internacional”. A crítica foi publicada neste domingo (18) em artigo assinado no jornal norte-americano The New York Times.

No texto, Lula afirma que a América Latina “não será subserviente a propósitos hegemônicos” e defende a construção de “uma região próspera, pacífica e pluralista”. Para o chefe do Executivo brasileiro, líderes de grandes potências precisam reconhecer que “um mundo de permanente hostilidade não é viável”.

Alerta sobre uso da força

O presidente sustenta que, quando a força deixa de ser exceção e passa a ser regra, a paz e a segurança global ficam ameaçadas. Ele reconhece que chefes de Estado podem — e devem — ser responsabilizados por atos que prejudiquem a democracia e os direitos fundamentais, mas rejeita a ideia de que outro país assuma esse papel. “Ações unilaterais desestabilizam o mundo, desorganizam o comércio e o investimento, geram ondas de refugiados e reduzem a capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado e outros desafios transnacionais”, escreve.

Preocupação específica com a América Latina

Lula destaca que a intervenção ocorre em uma região que abriga mais de 660 milhões de pessoas e a descreve como a primeira operação militar direta dos EUA na América Latina em dois séculos de independência. “Temos nossos próprios interesses e sonhos para defender”, pontua o artigo, ao reforçar que, em um mundo multipolar, nenhum país deveria ter sua política externa questionada por buscar relações universais.

Venezuela nas mãos dos venezuelanos

Sobre o futuro venezuelano, Lula afirma que ele deve permanecer sob responsabilidade do povo local. “Somente um processo político inclusivo, conduzido por venezuelanos, resultará em um futuro democrático e sustentável”, escreve, acrescentando que essa condição é fundamental para que refugiados, inclusive os que hoje vivem no Brasil, retornem ao país em segurança.

Diálogo com Washington

Ao final, o presidente brasileiro menciona conversas “construtivas” com os Estados Unidos. Ele lembra que Brasil e EUA são as duas democracias mais populosas do continente e defende a união de esforços em projetos de investimento, comércio e combate ao crime organizado. “Só juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos”, conclui.

O artigo foi publicado pelo New York Times às 11h15 de 18 de janeiro de 2026.

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