O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem demonstrado contrariedade com a atuação do ministro Dias Toffoli, relator do inquérito que apura fraudes envolvendo o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo relatos de pelo menos três auxiliares, Lula afirmou em conversas reservadas que o magistrado deveria renunciar ao cargo ou antecipar a aposentadoria. O presidente acompanha de perto o caso e, nos últimos dias, indicou que não pretende defender Toffoli das críticas que vêm sendo feitas à condução do processo.
O chefe do Executivo se queixa do grau de sigilo imposto ao inquérito e do desgaste institucional provocado por notícias que relacionam familiares de Toffoli a fundos ligados ao banco investigado. Para Lula, o governo precisa mostrar que combate fraudes sem proteger figuras influentes.
Na sexta-feira (23), o presidente afirmou a assessores que “não é possível continuar vendo o pobre ser sacrificado enquanto um cidadão do Banco Master deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”. Ainda de acordo com interlocutores, Lula teme que a investigação seja abafada.
Desde o fim de 2025, Lula monitora o andamento do inquérito. Ele estranhou a decisão de Toffoli de manter sob sigilo elevado um pedido da defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para levar a investigação ao STF. A medida foi tomada uma semana antes de vir a público que o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, tinha contrato de R$ 3,6 milhões mensais com o banco.
Em dezembro, Lula convidou Toffoli para almoço no Palácio do Planalto, acompanhado do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Na ocasião, o presidente insistiu que todas as descobertas fossem levadas “às últimas consequências”. Toffoli respondeu que nada seria arquivado e justificou o sigilo. Lula disse, então, que o caso seria oportunidade para o ministro “reescrever a própria biografia”.
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Após o encontro, vieram à tona novos episódios: a viagem de Toffoli em jatinho de um dos advogados do banco e a ligação de seus irmãos a um fundo de investimentos vinculado ao Master. Mesmo sob pressão, o ministro afirmou a interlocutores que não vê motivos para se declarar impedido nem para deixar a relatoria.
O empresário Daniel Vorcaro mantém vínculos com parlamentares do centrão e também com aliados petistas na Bahia. Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, é próximo do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do senador Jaques Wagner (PT-BA). Auxiliares do Planalto avaliam que o avanço das investigações pode atingir adversários políticos, mas também respingar em governistas.
Lula indicou Toffoli ao STF em 2009, mas acumula frustrações com o ex-advogado do PT. O episódio mais lembrado ocorreu em 2019, quando o ministro negou autorização para que o então preso Lula comparecesse ao velório do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá. O pedido de desculpas veio apenas em dezembro de 2022, após a eleição presidencial.
Mesmo diante dos recentes “rompantes”, auxiliares duvidam que Lula peça formalmente a saída de Toffoli do Supremo ou a redistribuição do caso. O presidente, no entanto, pretende convocar o ministro para nova conversa sobre a condução do inquérito.