O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou, nesta quinta-feira, uma reunião no Palácio do Planalto para tratar da intensificação do combate ao crime organizado e da integração entre diferentes órgãos do governo federal.
Participaram do encontro representantes da Receita Federal, Polícia Federal, Banco Central (BC), Ministério da Justiça, Procuradoria-Geral da República (PGR) e integrantes do Judiciário. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, estiveram presentes.
Desde o início do atual governo, uma das principais estratégias anunciadas contra organizações criminosas é a asfixia de suas finanças. A iniciativa, conduzida pelo Ministério da Fazenda, já resultou em investigações que expuseram ligações entre a gestora de recursos Reag, o banco Master e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O BC tem atuado na supervisão de processos de liquidação e, segundo interlocutores do governo, resistiu a pressões de setores do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a reunião, o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, reforçou a necessidade de continuidade dessa atuação.
De acordo com o novo ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, o caso envolvendo o banco Master foi discutido de forma secundária. A instituição financeira é alvo de investigação que envolve também a gestora Reag e empresários do setor.
Dias Toffoli, ministro do STF que acompanha de perto o processo relacionado ao banco Master, não foi convidado para a reunião. O magistrado autorizou, nesta quinta-feira, que peritos da Polícia Federal tenham acesso ao material apreendido durante operação realizada na terça-feira.
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Alexandre de Moraes, vice-presidente do STF e ex-ministro da Justiça, representou a Corte no encontro. O tribunal é atualmente presidido por Edson Fachin.
Na quarta-feira, Galípolo se encontrou com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Segundo fontes da corporação, a conversa tratou da cooperação entre BC e PF nas investigações que envolvem o sistema financeiro.
Também estiveram presentes na reunião de quinta-feira o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, e membros da PGR. A Receita é alvo de apurações sobre eventual vazamento de dados envolvendo familiares de Alexandre de Moraes, tema que deve ser analisado pelo próprio ministro.
O governo pretende realizar novos encontros para alinhar procedimentos e garantir que ações conjuntas sejam executadas com maior agilidade, especialmente nas etapas de bloqueio de bens e no compartilhamento de informações entre os órgãos participantes.