Londres – O empresário chinês Zhang Lei, fundador da fabricante de turbinas eólicas Envision, alertou que a rápida expansão da inteligência artificial tende a multiplicar a demanda global por eletricidade e pode empurrar milhões de pessoas para a chamada “pobreza energética” se não houver investimentos maciços em fontes renováveis.
Em entrevista concedida ao Financial Times após receber neste mês o Prêmio do Presidente do Energy Institute, em Londres, Zhang estimou que o consumo mundial de energia elétrica pode crescer até dez vezes na próxima década. Segundo ele, a extração de combustíveis fósseis ficará cada vez mais cara à medida que as reservas diminuem, elevando as contas de luz caso parques eólicos e solares não avancem no mesmo ritmo.
O executivo afirmou que o argumento para acelerar a transição energética “já não se resume à crise climática”. “Trata-se da prosperidade no longo prazo”, declarou. Para Zhang, um sistema renovável amplo, barato e assistido por inteligência artificial é essencial para evitar que a IA sobrecarregue a infraestrutura elétrica existente.
Ele destacou que, em algumas regiões dos Estados Unidos, a disputa por energia destinada a centros de dados elevou as tarifas residenciais em até 50%. Dados da Agência Internacional de Energia (AIE) apontam que o consumo elétrico desses centros deve crescer 15% ao ano até 2030, chegando a representar 3% da demanda mundial.
Na Virgínia, estado que se tornou polo para data centers, a fatura média de eletricidade subiu 13% em 2025, ficando cerca de 30% acima do patamar de 2021, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA.
Apesar de o governo Trump ter prometido, em janeiro, medidas para impedir que o desenvolvimento da IA pese nas contas de energia, a Casa Branca também adotou ações que dificultam a expansão de renováveis no país.
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Zhang argumenta que a inteligência artificial será “o maior consumidor de energia da história”, ao contrário de usos anteriores — iluminação, transporte e aquecimento — limitados pelo tamanho da população. “Quanto mais potência de computação a IA tiver, mais inteligente se tornará; e, quanto mais inteligente for, mais energia exigirá”, disse.
A empresa iniciou a construção de data centers próprios na China e planeja unidades com emissão zero em outros países. O grupo, que também atua em baterias e hidrogênio verde e mantém a única gigafábrica de baterias para carros elétricos do Reino Unido, pretende incorporar inteligência artificial a todos os seus produtos para prever padrões climáticos, flutuações de preços de energia e condições de rede.
Zhang minimizou eventuais preocupações de segurança sobre essa camada de IA fora da China, lembrando que tecnologias semelhantes já estão presentes em eletrônicos de consumo e podem contar com salvaguardas adequadas.
Fundação: 2007
Sede: Distrito de Huangpu, Xangai
Funcionários: entre 1.000 e 5.000
Presença: China, Alemanha, França, Reino Unido, Espanha, Dinamarca, Índia, Japão, Vietnã, Indonésia, Argentina, Chile, México, Austrália, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos