Mastercard e American Express disputam com adquirentes quem paga rombo superior a R$ 5 bilhões de Will Bank e Fictor

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Mastercard e American Express enfrentam as empresas de maquininhas sobre a responsabilidade pelos valores não pagos nos cartões de crédito emitidos por Will Bank e Fictor. Segundo fontes próximas às tratativas, o montante em aberto soma R$ 5 bilhões no caso do Will, ligado ao conglomerado Banco Master, e R$ 893 milhões na Fictor, que está em recuperação judicial.

Como o problema surgiu

Will Bank foi liquidado no fim de janeiro de 2026, e a Fictor ingressou com pedido de recuperação em 2 de fevereiro. Desde então, os clientes dessas instituições deixaram de quitar faturas, e o fluxo de repasses às adquirentes foi interrompido por Mastercard e Amex.

Quando um consumidor paga a fatura do cartão, o dinheiro vai primeiro para a bandeira, que, por sua vez, distribui o valor às adquirentes — responsáveis por antecipar pagamentos aos lojistas. Sem receber dos emissores, Mastercard e Amex cortaram os repasses às maquininhas.

Argumentos dos dois lados

As adquirentes citam a Resolução 522 do Banco Central, publicada em novembro, que obriga a bandeira a garantir o pagamento aos recebedores finais, mesmo com recursos próprios. Alegam ainda respaldo na Resolução 150 e na Lei 12.865/2013, conhecidas por impor o “repasse” dos valores ao longo da cadeia de liquidação.

Mastercard e American Express respondem que a Resolução 522 prevê 180 dias para adequação contratual e, portanto, ainda não se aplica. Nos contratos atuais, as bandeiras determinam que, em caso de inadimplência do emissor, as adquirentes podem manter os recebíveis dos clientes e receber conforme eles quitarem as dívidas — cenário limitado, pois grande parte desses consumidores está inadimplente.

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Imagem: redir.folha.com.br

Reações

A Associação Brasileira de Internet (Abranet), que reúne Mercado Pago, PicPay, Recargapay e PagBank, sustenta que a obrigação de honrar os pagamentos é da Mastercard e levou o tema ao Banco Central. A Abecs, entidade que representa bancos, bandeiras e adquirentes, afirma acompanhar a situação para preservar a segurança do sistema.

Em nota, a Mastercard declarou cumprir todas as exigências legais e trabalhar “em estreita colaboração com o liquidante e regulador para minimizar impactos”. Já a American Express disse não ter valores a receber da Fictor, contestando documento judicial que a indica como maior credora do grupo.

Próximos passos

Com impasse mantido, o Banco Central ouve ambas as partes em busca de solução sistêmica. Caso não haja acordo, a disputa deve ser levada aos tribunais.

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