Apesar da queda superior a 3% registrada pelo Ibovespa na terça-feira (3) em meio às tensões entre Estados Unidos, Irã e Israel, o principal índice da B3 ainda acumula alta de cerca de 14% em 2026 e de quase 50% nos últimos 12 meses, desempenho bem acima do CDI, hoje em torno de 15% ao ano.
Os dados foram apresentados por Fernando Ferreira, estrategista-chefe e Head de Research da XP, durante o programa Espresso Outliers, conduzido pela analista de fundos Clara Sodré. Segundo Ferreira, o movimento confirma um padrão recorrente nos ciclos monetários: “o mercado se posiciona antes das decisões oficiais”. Dessa forma, quem espera o anúncio do primeiro corte da Selic para migrar para a renda variável costuma perder a maior parte da valorização inicial.
Ferreira destacou que o investidor brasileiro mantém participação historicamente reduzida em ações, entre 5% e 6% do portfólio. “Quem ficou aguardando a queda do CDI e da Selic acabou perdendo essa alta toda”, afirmou.
Enquanto o investidor local segue cauteloso, o capital externo avança. Antes mesmo do agravamento do conflito no Oriente Médio, os aportes de estrangeiros na Bolsa brasileira somavam mais de R$ 42 bilhões em 2026, superando com folga os R$ 25 bilhões registrados em todo o ano de 2025.
De acordo com o estrategista, três fatores justificam o movimento:
Além disso, a forte exposição da região a commodities, que voltaram a ganhar força no cenário global, reforça o interesse dos fundos internacionais.
Imagem: infomoney.com.br
No mesmo programa, Marx Gonçalves, Head de Fundos Listados do Research da XP, avaliou que a perspectiva de queda da Selic e a recente redução da curva futura de juros criam ambiente favorável aos fundos imobiliários (FIIs). Segundo ele, a queda dos juros futuros melhora o valor justo dos ativos e, consequentemente, a performance do IFIX, que já entregou retorno total próximo de 21% em 2025.
Mesmo assim, os FIIs ainda negociam com desconto relevante em relação ao valor patrimonial e às médias históricas. “Todos os segmentos estão abaixo do valor patrimonial”, observou Gonçalves, citando fundamentos positivos, como aumento das taxas de ocupação, elevação dos aluguéis e, em alguns casos, reajustes acima da inflação. Esses fatores tendem a impulsionar os resultados operacionais e, ao longo do tempo, as distribuições de rendimentos.
Ferreira concluiu reforçando a importância da diversificação: “É fundamental manter uma carteira equilibrada, adequada ao perfil de risco, sem tentar adivinhar a ‘bola da vez’”.