As companhias brasileiras levantaram R$ 59,9 bilhões no mercado de capitais em janeiro, o maior volume já registrado para o mês desde o início da série da Anbima, em 2012. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (19) pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais.
O resultado supera em 30,5% o montante captado em janeiro do ano passado.
Os instrumentos de renda fixa responderam por R$ 46,2 bilhões. Dentro desse grupo, as debêntures seguem na ponta, com R$ 26,9 bilhões, ligeiramente abaixo dos R$ 28,5 bilhões de igual período de 2025. Do total obtido com debêntures, 41,4% foram direcionados a projetos de infraestrutura e 28,2% a despesas ordinárias. O prazo médio ficou em 7,3 anos.
As notas comerciais alcançaram R$ 6,4 bilhões, quatro vezes mais que em janeiro do ano anterior, o que representa salto de 329,0% e estabelece novo recorde para o mês.
Os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) também registraram marca inédita para janeiro, somando R$ 7,0 bilhões, avanço de 98,6% em relação a 2025.
Segundo Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, o desempenho de notas comerciais e FIDCs evidencia a ampliação das alternativas de financiamento, especialmente para empresas de menor porte.
Imagem: Daniel Dan via infomoney.com.br
Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) atingiram R$ 3,2 bilhões, recuo de 21,3% na comparação anual. Já os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) totalizaram R$ 908 milhões, queda de 60,1%.
Entre os produtos híbridos, os Fundos Imobiliários movimentaram R$ 4,8 bilhões, alta de 18,9%. Em sentido contrário, os Fiagros (Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais) captaram R$ 955 milhões, retração de 8,6%.
No segmento de renda variável, duas ofertas subsequentes de ações (follow-ons) somaram R$ 7,9 bilhões em janeiro. No mesmo mês do ano passado, não houve operações desse tipo.
Com os números de janeiro, o mercado de capitais inicia o ano em ritmo acelerado, impulsionado principalmente pelas emissões de renda fixa e pela retomada de ofertas de ações.