Torres comerciais que antes valiam centenas de milhões de dólares estão sendo negociadas com abatimentos de 70% a 90% nos principais centros urbanos dos Estados Unidos. Em Chicago, o cenário é ainda mais dramático e reflete a combinação de juros altos e expansão do trabalho remoto.
Dados da Nightingale Associates mostram que edifícios de diferentes períodos sofrem reduções expressivas de preço:
• 401 S. State St. – Construído há cerca de um século no histórico distrito de Printing House Row, o prédio foi vendido recentemente por US$ 4,2 milhões. Em 2016, havia mudado de mãos por US$ 68,1 milhões, queda de 94%.
• 311 S. Wacker Drive – Um dos arranha-céus mais conhecidos do Loop atingiu valor de venda de US$ 45 milhões, 85% abaixo dos US$ 302 milhões pagos em 2014.
• 100 N. Riverside Plaza – O direito de locação de longo prazo ocupado pela Boeing foi negociado por US$ 22 milhões; em 2005, esse mesmo interesse locatício custava US$ 165 milhões, recuo de 87%.
• 300 W. Adams St. – O interesse de arrendamento no edifício foi adquirido por US$ 4 milhões, frente a US$ 51 milhões em 2012, desvalorização de 92%.
Imagem: Amanda Macias FOXBusiness via foxbusiness.com
A queda de preços não se limita à cidade. Em 2023, uma torre de 18 andares em Dallas saiu por US$ 26,1 milhões, 64% menos que os US$ 73 milhões pagos em 2016. Em St. Louis, um prédio de 44 andares foi vendido em 2022 por US$ 4,5 milhões, distante dos quase US$ 205 milhões de 2006. Já em San Jose (Califórnia), um imóvel comercial recebeu oferta de US$ 23,7 milhões, ante US$ 80,1 milhões em 2017. Em Newton (Massachusetts), um complexo com três edifícios passou de US$ 235 milhões em 2020 para US$ 117,5 milhões no ano passado.
Prédios de escritórios respondem por parcela significativa da base tributária municipal, contribuindo para o financiamento de escolas, segurança pública e transporte. Com a retração dos valores, prefeitos e vereadores avaliam alternativas que vão de cortes de serviços ao aumento de impostos para cobrir eventuais déficits.
No meio das incertezas sobre o futuro do centro da cidade, líderes locais tentam segurar outros pilares econômicos. O Chicago Bears estuda transferir suas operações para Indiana, onde um novo estádio poderia ser construído próximo ao lago Wolf, em Hammond, logo após a divisa estadual.
Diante da queda nas receitas provenientes de imóveis comerciais, autoridades de Chicago e de outras metrópoles encaram decisões difíceis: reduzir serviços, elevar tributos em outras áreas ou absorver déficits crescentes.