Investidores de diferentes regiões passaram a tratar a intenção dos Estados Unidos de assumir o controle da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, como fator concreto de risco geopolítico e econômico. Especialistas ouvidos pelo InfoMoney afirmam que a iniciativa anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump pode alterar fluxos de capital e a precificação de vários ativos.
Para Ramiro Gomes Ferreira, sócio do Clube do Valor, a ofensiva norte-americana envolve ocupação e domínio direto de recursos naturais e, portanto, vai além da diplomacia. Ele lembra que a recente prisão de Nicolás Maduro, obtida em operação relâmpago, mostrou ao mercado que a Casa Branca está disposta a executar movimentos considerados ousados.
Na mesma linha, Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, ressalta que Trump menciona a Groenlândia “há bastante tempo” e agora conduz ações que já provocam consequências tangíveis.
Leonardo Netto, private banker da Guardian Capital, acrescenta que a vinculação do tema à segurança nacional — diante do avanço de Rússia e China no Ártico — inclui, inclusive, a ameaça de tarifas a parceiros europeus.
Caso o objetivo de Washington seja reduzir a dependência da China no refino de terras raras — metais essenciais para chips, inteligência artificial e baterias — três segmentos despontam como potenciais vencedores:
Analistas apontam empresas europeias, sobretudo dinamarquesas, como prováveis perdedoras caso a tensão avance. Ramiro destaca que a armadora Maersk e a farmacêutica Novo Nordisk (N1VO34) podem enfrentar maior volatilidade em razão da ameaça de novas tarifas norte-americanas.
Imagem: inteligência artificial publicada por D via infomoney.com.br
Netto pondera que a Novo Nordisk preserva certo grau de proteção por controlar a precificação dos próprios produtos. Ainda assim, seus múltiplos podem oscilar no curto prazo diante do risco-país e de eventual direcionamento de medidas dos EUA contra medicamentos europeus.
Além disso, companhias que confiam exclusivamente na China como fornecedora de minerais críticos tendem a perder valor, pois o mercado já precifica a necessidade de diversificação para evitar sanções ou bloqueios em um eventual novo eixo liderado por Washington.
Com a questão da Groenlândia no radar, investidores acompanham o desenrolar das negociações e ajustam carteiras, avaliando cada exposição a commodities, defesa, logística e cadeias industriais ligadas a terras raras.