Os contratos futuros negociados na plataforma eletrônica CME Globex, que iniciou operações às 20h (horário de Brasília) neste domingo, 1º de março, refletem os primeiros impactos da intensificação do conflito no Oriente Médio. Índices acionários recuam, enquanto petróleo, ouro e dólar registram forte valorização.
O petróleo tipo Brent avançava 9,26%, sendo negociado a US$ 79,20 o barril, contra US$ 72,87 no último fechamento. Apesar da disparada, o preço permanece abaixo das projeções mais pessimistas, que apontam para níveis próximos a US$ 100 na sessão desta segunda-feira (2).
Em Nova York, o S&P 500 e o Dow Jones perdiam 1,0%, e a Nasdaq recuava 0,92%. Entre os fundos negociados em bolsa, o ETF iShares MSCI Brazil (EWZ) operava estável, com leve alta de 0,05%, enquanto o MSCI Emerging Markets subia 0,35%.
No câmbio, o índice DXY futuro, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, avançava 0,24%. O ouro subia 2,25%, cotado a US$ 5.365,90 por onça-troy; a prata ganhava 1,90% e o cobre, 0,37%.
Os principais índices das bolsas asiáticas ainda não haviam sido divulgados até o fechamento desta edição.
A movimentação de capitais em direção a ativos considerados seguros é atribuída ao ataque conjunto de Estados Unidos e Israel contra o Irã na madrugada de sábado (29), ocorrido após negociações encerradas na quinta-feira (26). A possibilidade de interrupção do tráfego pelo Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial, elevou o prêmio de risco da commodity.
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Segundo estimativas da Agência de Informação de Energia dos EUA (EIA), aproximadamente 70% dos barris que cruzam o estreito têm como destino China, Índia, Japão e Coreia do Sul, o que aumenta a preocupação de pressão inflacionária especialmente na Ásia. Analistas projetam efeitos menores nas Américas, consideradas mais autossuficientes.
Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, conflitos no Oriente Médio não costumam provocar quedas prolongadas nas bolsas. Ele lembra que, durante a Guerra do Golfo, o S&P 500 chegou a recuar 11%, mas encerrou o ano com alta superior a 20%.
Já Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, alerta para um “risco sistêmico sem precedentes recentes” caso a tensão se prolongue, o que poderia gerar escassez física de petróleo. No Brasil, ele aponta possíveis impactos em fertilizantes e energia, fatores que poderiam levar o Banco Central a adiar ou até reverter o esperado ciclo de corte da Selic nas próximas reuniões do Copom.
Até o momento, analistas concordam que, se o confronto for breve, as flutuações devem ser temporárias; caso contrário, a pressão sobre preços e juros pode se ampliar.