Mercados ignoram ataque dos EUA à Venezuela e ameaça à Groenlândia, aponta colunista

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Apesar do bombardeio ordenado pelo presidente norte-americano Donald Trump contra a Venezuela e das declarações sobre a “necessidade” de anexar a Groenlândia, os principais ativos globais continuam praticamente estáveis no início de 2026. A avaliação é da colunista Katie Martin, membro do conselho editorial do Financial Times.

Reação limitada dos preços

O barril de petróleo, principal riqueza venezuelana, permanece perto das mínimas de cinco anos, em torno de US$ 60. A movimentação mais visível ocorreu nas ações de algumas petrolíferas dos Estados Unidos, que subiram com a expectativa de participação na reconstrução da infraestrutura energética do país sul-americano.

Metais considerados porto seguro, como o ouro, até se valorizaram, mas sem intensidade. Títulos do Tesouro norte-americano e o dólar mostraram pouca variação.

Preocupação com o Fed

Para Martin, a aparente indiferença ignora o risco de que a postura intervencionista de Trump alcance também a política monetária. O mandato do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell — a quem Trump já chamou de “palhaço” e “imbecil” — termina em maio de 2026. Investidores concentram-se no nome do sucessor, mas a colunista alerta para a possibilidade de mudanças estruturais que ampliem o controle da Casa Branca sobre o banco central.

“Os mercados de títulos não estão precificando adequadamente uma reconfiguração do mandato do Fed. Todos os caminhos levam à inflação”, disse Mike Eakins, diretor de investimentos do fundo de pensão britânico Phoenix, citado no texto.

Dólar sob pressão

Mansoor Mohi-uddin, estrategista-chefe de macro do Bank of Singapore, classificou a deposição forçada de Nicolás Maduro como um “choque para a ordem mundial” comparável à invasão da Ucrânia pela Rússia. Segundo ele, o episódio enfraquece a percepção do dólar como refúgio, ao mesmo tempo em que deve levar governos a ampliar gastos com defesa e cadeias de suprimentos, alimentando pressões inflacionárias.

Risco ao multilateralismo

Na avaliação da colunista, a tranquilidade atual dos mercados é um mau termômetro para medir o desgaste do multilateralismo e do estado de direito. A falta de reação, argumenta, pode estimular a Casa Branca a avançar em iniciativas que ameacem também as regras que sustentam o sistema financeiro global.

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