Mais da metade das mulheres no Brasil não está satisfeita com a própria condição financeira. É o que revela o estudo “O planejamento financeiro do brasileiro: da consciência à prática”, encomendado pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar) e conduzido pelo Datafolha em 2025.
De acordo com o levantamento, 51% das entrevistadas declararam insatisfação, proporção superior aos 40% observados entre os homens. A pesquisa ouviu 2 mil pessoas com 18 anos ou mais, das classes A, B e C, conectadas à internet, em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Questionadas sobre planejamento financeiro, 53% das mulheres afirmaram ter algum tipo de plano — patamar nove pontos abaixo dos 65% registrados entre os homens. A diferença se aprofunda quando o assunto é reserva para imprevistos: 43% dos brasileiros não guardam dinheiro para emergências e, dentro desse grupo, 62% são mulheres.
Mesmo entre quem consegue poupar, quase metade disse que a reserva não duraria mais de um ano. A incerteza também afeta metas de vida: apenas 37% das mulheres se sentem financeiramente confiantes para realizar uma viagem dos sonhos, ante 51% dos homens. Para compra ou troca de veículo, o índice é de 35% entre elas e 46% entre eles. Quando se trata de abrir um negócio, 32% das mulheres demonstram segurança, frente a 47% dos homens.
Entre os aposentados, 46% das mulheres relataram ter cortado gastos, contra 39% dos homens. Além disso, uma em cada cinco aposentadas (20%) afirmou não receber renda suficiente para o próprio sustento; entre os homens aposentados, esse percentual é de 16%.
Apesar dos desafios, 89% dos brasileiros mantêm algum registro das despesas. As formas mais comuns são anotações em cadernos (45%) e planilhas em computador ou celular (35%). Somente 2% dos entrevistados já contrataram um planejador financeiro, mas 49% consideram buscar esse serviço.
Imagem: infomoney.com.br
Para Ana Leoni, presidente da Planejar, a pesquisa demonstra que o gênero segue sendo determinante na percepção de estabilidade econômica. Segundo a entidade, ampliar o acesso à educação financeira e ao planejamento estruturado pode fortalecer a autonomia das mulheres, que muitas vezes concentram a responsabilidade pelo orçamento familiar e recebem salários menores.
A planejadora certificada (CFP) Karoline Roma Cinti observa que, em geral, as mulheres procuram ajuda profissional motivadas pela busca de segurança — seja para preservar o que já conquistaram, seja para garantir o futuro dos filhos. Ela destaca, contudo, que a diferença de postura tende a diminuir conforme homens e mulheres avançam no processo de educação financeira.
O estudo reforça que, embora utilizem ferramentas básicas de controle de gastos, as brasileiras ainda enfrentam maiores obstáculos para transformar planejamento em confiança sobre o futuro.