De meteórica à interrompida: a trajetória de Augusto Lima no setor bancário

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O economista baiano Augusto Lima, proprietário do Banco Pleno – instituição liquidada pelo Banco Central na quarta-feira (18) – percorreu em poucos anos um caminho que uniu expansão agressiva, alianças políticas e investigações policiais.

Início com o Credcesta

Lima criou, em 2018, o cartão de crédito consignado Credcesta, voltado a servidores públicos. A partir desse produto, deixou Salvador e levou a operação a 24 estados e 176 municípios. Para operar o cartão, buscou primeiro o BMG, sem sucesso, e, em seguida, firmou acordo com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Associação ao Master e aquisição do Voiter

A parceria evoluiu: em maio de 2020, Lima tornou-se sócio do Master. Em julho de 2025, o Banco Central autorizou que assumisse o banco Voiter, então pertencente ao conglomerado Master, rebatizando a instituição de Banco Pleno. Na época, o grupo Master já era investigado por suposta fraude na venda de carteiras de crédito ao Banco Regional de Brasília (BRB).

Operações policiais e crise de liquidez

Em 17 de novembro, Lima foi preso na Operação Compliance Zero, permanecendo hoje em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Após a detenção, o Pleno passou a enfrentar dificuldades para captar recursos e cumprir obrigações. Tentativas de atrair um novo sócio não prosperaram, culminando na liquidação decretada pelo Banco Central.

Relações empresariais e fundos

A expansão do Credcesta envolveu estruturas societárias complexas. A PKL One, dona da marca, recebeu aporte do fundo Reag 34 – posteriormente denominado Diamond – administrado pela WNT, citada na segunda fase da Compliance Zero. A gestora Reag tornou-se alvo da Operação Carbono Oculto, em agosto de 2025, sob suspeita de ligação com o PCC, e também foi liquidada pelo Banco Central.

Apoio político

A virada do Credcesta ocorreu durante a privatização da estatal baiana Ebal, responsável pela rede Cesta do Povo. Na época, Rui Costa governava o estado e Jaques Wagner era secretário de Desenvolvimento Econômico. Lima sugeriu transformar o antigo cartão de compras em um pacote de benefícios, inclusive financeiros, para servidores, proposta que ajudou a viabilizar o leilão.

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Imagem: redir.folha.com.br

Entre 2021 e 2022, aproximou-se do então ministro da Cidadania, João Roma, e defendeu a criação do crédito consignado para beneficiários do INSS, ampliando o alcance nacional do Credcesta. Também manteve diálogo com o senador Ciro Nogueira (PP) e com o presidente do União Brasil, Antônio Rueda. Em dezembro de 2024, participou de reunião no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado de Daniel Vorcaro e do ex-ministro Guido Mantega.

Vida pessoal e projeção social

Nascido em Salvador em família de classe média, Augusto “Guga” Lima formou-se em economia em 2002, apresentando monografia sobre a indústria do Carnaval. Antes de ingressar no sistema financeiro, vendeu abadás e, em 2001, abriu a Terra Firme, empresa que atuava como correspondente bancário.

Em 2023, divorciou-se e iniciou relacionamento com a deputada federal Flávia Carolina Peres Lima (PP), ex-ministra do governo Jair Bolsonaro. O casamento ocorreu em janeiro de 2024, na Ilha dos Frades (BA), sem registros públicos. Em novembro de 2023, o casal lançou o Instituto Terra Firme, em evento que reuniu autoridades estaduais e municipais.

A liquidação do Banco Pleno encerra, ao menos por ora, a breve carreira de Lima como banqueiro, marcada por crescimento acelerado e sucessivas investigações.

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