Brasília – O ministro Jhonatan de Jesus, relator do processo que tramita no Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master, deve apresentar parecer favorável à atuação do Banco Central (BC) assim que a inspeção técnica nos documentos do regulador for concluída, segundo fontes com acesso à investigação.
A auditoria in loco teve início na semana passada e examina um relatório sigiloso de 18 páginas encaminhado pelo BC ao TCU em 29 de dezembro. Os auditores verificam a documentação citada no material, inclusive registros sobre o momento exato em que foi decretada a liquidação.
Um dos pontos centrais da apuração é confirmar se a decisão do BC ocorreu antes de vir a público a proposta de compra do banco pela Fictor. A defesa de Daniel Vorcaro, controlador do Master, sustenta que o BC teria se precipitado e atuado de forma coordenada com o Ministério Público, ignorando alternativas de venda.
Vorcaro foi preso em 17 de novembro, no momento em que tentava embarcar para Dubai em avião particular, e liberado dias depois sob o argumento de que buscaria potenciais compradores. A liquidação foi anunciada pelo BC na manhã de 18 de novembro, mas o horário da assinatura do ato ainda está sob análise.
Uma avaliação preliminar da área técnica do TCU, responsável pela fiscalização de instituições financeiras, aponta que o BC vinha monitorando o Master de forma contínua desde o primeiro semestre de 2024, sem indícios de omissão. Caso o relatório definitivo confirme essa conclusão, Jhonatan de Jesus deverá seguir o entendimento dos auditores.
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No tribunal, a expectativa é de que o plenário ratifique o trabalho do BC, encerrando um episódio que gerou tensão entre a Corte de Contas e a autoridade monetária. Após a determinação da inspeção, entidades representativas do setor financeiro manifestaram apoio público ao BC, enquanto o relator passou a receber grande volume de acessos em suas redes sociais.
Jhonatan negou ter sofrido pressão política para reverter a liquidação e sinalizou a colegas que não pretende pedir medida cautelar para suspender o processo nem impedir a venda de ativos conduzida pelo liquidante.
O avanço das investigações sobre o esquema financeiro atribuído ao controlador do Master enfraqueceu a estratégia da defesa de contestar a decisão do BC. Paralelamente, outro processo no TCU, sob relatoria do ministro Jorge Oliveira, deve ser arquivado. Ele analisa recurso do Ministério Público junto ao TCU contra o encerramento de pedido que investigava a tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). O caso também corre em sigilo.