Monte Bravo recomenda ampliar exposição a Tesouro IPCA+ para enfrentar risco de estagflação

Estratégias de investimento7 horas atrás13 Visualizações

O ambiente de “cachinhos dourados” que sustentou os mercados no fim de 2025, marcado por inflação global em queda e crescimento econômico resiliente, já não dita mais o ritmo dos investimentos. O recente choque de oferta de petróleo, impulsionado pelos conflitos no Oriente Médio, reacendeu o temor de estagflação – combinação de inflação alta com baixo ou nenhum crescimento.

Nesse contexto, a Monte Bravo Investimentos passou a priorizar títulos do Tesouro IPCA+ com vencimentos intermediários (entre cinco e dez anos). Segundo o diretor de investimentos (CIO) Guilherme Loureiro, a classe de ativos oferece uma “assimetria positiva” ao proteger o capital em cenários adversos e, ao mesmo tempo, possibilitar ganhos expressivos se a curva de juros voltar a fechar.

NTN-Bs podem chegar a 40% da carteira

Atualmente, as NTN-Bs representam cerca de 35% da carteira recomendada pela casa de análise, percentual que pode subir para 40% após o recente estresse na curva de juros. Loureiro explica que a estratégia deixa de fora os vértices muito curtos e os superlongos – como o Tesouro IPCA+ 2045 – para reduzir a volatilidade sem abrir mão da proteção contra surpresas inflacionárias.

“Se houver um salto de inflação provocado por problemas fiscais ou pelo encarecimento do petróleo, o papel te protege. Já num cenário benigno, em que a crise se dissipa e as taxas recuam, o retorno pode se aproximar ao de Bolsa”, afirma o executivo.

Caixa robusto garante flexibilidade

A estratégia inclui ainda uma posição de aproximadamente 45% em aplicações pós-fixadas de alta liquidez, como o Tesouro Selic. O objetivo é manter recursos disponíveis para aproveitar ativos depreciados em momentos de turbulência, diz Loureiro.

Petróleo em alta muda a perspectiva global

Até março deste ano, a inflação nas economias desenvolvidas dava sinais de arrefecimento, cenário que sustentava o bom desempenho simultâneo de ações, bônus e commodities, além de um dólar mais fraco. Contudo, a cotação do barril de petróleo avançou para a faixa de US$ 110 a US$ 115, alterando essa dinâmica.

“Se o conflito no Oriente Médio se prolongar, o preço pode saltar para US$ 125 ou até US$ 150, consolidando um quadro de estagflação”, alerta Loureiro. Nessa situação, ele recomenda elevar o caixa ou buscar proteções específicas, já que ativos de risco tendem a sofrer.

Brasil: vantagens e desafios

No plano doméstico, o CIO destaca que o Brasil, como exportador de commodities e distante geograficamente do conflito, tem alguma vantagem relativa. Mesmo assim, ele observa que o investidor estrangeiro costuma reduzir posições em mercados emergentes em um primeiro momento de aversão ao risco.

O cenário fiscal interno também limita o apetite por risco adicional: a dívida pública cresceu e a redução do déficit nominal esbarra em uma carga tributária já elevada. “O cobertor fiscal está ficando curto”, resume Loureiro.

Combinando NTN-Bs de médio prazo e caixa relevante, a Monte Bravo afirma buscar equilibrar defesa e oportunidade em um ambiente marcado por incertezas externas e domésticas.

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