A defesa de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, 43 anos, confirmou na noite desta sexta-feira (6) o falecimento do investigado, conhecido pelos apelidos “Sicário” e “Mexerica”. Segundo nota divulgada pelos advogados, a morte foi declarada às 18h55, após a conclusão do protocolo de morte encefálica iniciado às 10h15 do mesmo dia. O corpo será encaminhado ao Instituto Médico Legal para os procedimentos legais.
Mourão havia sido preso na última quarta-feira (4) durante nova etapa da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal o identificava como operador central de um grupo denominado “A Turma”, responsável por coletar informações e monitorar alvos de interesse do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
De acordo com a PF, o suspeito tentou suicídio em uma cela da Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais logo após a prisão. Ele foi socorrido e permaneceu internado até a confirmação da morte nesta sexta-feira.
Mensagens obtidas pela PF apontam que Mourão teria tratado com Vorcaro sobre possível intimidação ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, por meio de um assalto, além de outras conversas envolvendo ameaças e agressões a desafetos. A corporação afirma que ele tinha acesso a bases de dados restritas de órgãos públicos no Brasil e no exterior para executar essas ações.
No dia da prisão, a defesa declarou que as acusações “não correspondiam à realidade” e prometeu esclarecimentos após ter acesso integral aos autos.
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Em Minas Gerais, onde era conhecido como “Mexerica”, Mourão possuía registros por furto qualificado, estelionato, associação criminosa, falsificação de documento público, organização criminosa e crimes contra a economia popular. Policiais ouvidos pela reportagem relatam que ele atuava como agiota, participava de esquemas de pirâmide financeira e mantinha ligações com apostas ilegais, envolvendo inclusive integrantes das forças de segurança.
Desde 2021, o investigado era réu na 5ª Vara Criminal de Belo Horizonte por crime contra a economia popular, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O Ministério Público o acusa de chefiar um esquema de pirâmide que teria começado em 2017, atraindo investidores com promessas de lucros elevados na compra e venda de títulos, ações e cotas. Outras dez pessoas, entre elas a mãe e a irmã de Mourão, também respondem ao processo, ainda sem julgamento.
Na ocasião da prisão, os advogados afirmaram acreditar que, ao final da ação penal, seria comprovada a inocência de seu cliente.