Pelo menos 150 navios-tanque, entre petroleiros e embarcações de gás natural liquefeito, permaneciam fundeados em águas abertas do Golfo Pérsico na manhã de domingo (1º), após o fechamento do Estreito de Ormuz em meio à guerra deflagrada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Levantamento da plataforma MarineTraffic, compilado pela Reuters, mostra que as embarcações se concentram ao largo das costas de grandes produtores da região, como Iraque, Arábia Saudita e Catar. Outros 100 petroleiros aguardam próximo aos Emirados Árabes Unidos e a Omã, do lado de fora do estreito.
De acordo com um oficial da missão naval da União Europeia Aspides, navios que transitam na área têm recebido mensagens da Guarda Revolucionária iraniana informando que “nenhuma embarcação tem permissão para passar pelo Estreito de Ormuz”. Teerã ainda não divulgou comunicado formal sobre a ordem.
Analistas projetam forte alta nas cotações do petróleo na abertura dos mercados na segunda-feira (2). Na sexta-feira (28), o barril Brent (LCOc1) já havia subido para US$ 73, o maior nível desde julho, por temores de interrupções no principal corredor de escoamento de petróleo do mundo, responsável por mais de 20% do trânsito global.
Para João Victor Marques, pesquisador da FGV Energia, manter o bloqueio por longo período seria prejudicial ao próprio Irã, já que cerca de 90% das exportações de petróleo do país precisam atravessar o estreito. “O Irã é fortemente sancionado e enfrenta crise econômica interna; precisa vender petróleo para obter dólares”, afirmou.
Reunida no domingo (1º), a Opep+ concordou em elevar a produção em 206 mil barris por dia, ampliando alternativas de abastecimento em meio ao conflito. A decisão, que representa menos de 0,2% da oferta global, foi tomada por oito membros do grupo: Arábia Saudita, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão, Kuweit, Iraque, Argélia e Omã.
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Analistas destacam, porém, que apenas Arábia Saudita e Emirados Árabes dispõem de capacidade significativa para elevar rapidamente o volume exportado — e mesmo esses países enfrentam dificuldades logísticas enquanto a navegação no Golfo permanecer restrita.
Os oito integrantes da aliança já haviam aumentado suas cotas em cerca de 2,9 milhões de barris diários entre abril e dezembro de 2025, antes de suspender novos acréscimos de janeiro a março de 2026 por causa da fraqueza sazonal da demanda.
Líderes do Oriente Médio alertaram Washington que uma escalada militar contra o Irã pode levar o petróleo a superar US$ 100 o barril, segundo a analista Helima Croft, do RBC. O Barclays também vê possibilidade de o preço chegar a esse patamar caso as exportações via Ormuz continuem paralisadas.
Enquanto isso, armadores mantêm suas embarcações ancoradas, aguardando orientação oficial e condições de segurança para retomar a travessia pelo estreito estratégico.