Dallas (EUA) – O recém-empossado governador do Federal Reserve, Stephen Miran, recomendou que Kevin Warsh, indicado pelo ex-presidente Donald Trump para assumir a presidência do banco central norte-americano, adote uma postura “voltada para o futuro” ao definir a política monetária.
Miran discursou na sede do Fed de Dallas e resumiu seu conselho a Warsh: evitar olhar apenas para indicadores passados. “Quem se prende em excesso ao retrovisor acaba ficando para trás”, afirmou, reforçando que o cenário econômico atual, em sua avaliação, não exige a estratégia de “dependência de dados” priorizada pelo atual presidente do Fed, Jerome Powell.
Trump oficializou a indicação de Kevin Warsh para substituir Jerome Powell, cujo mandato termina em maio. Ex-diretor do próprio Fed, Warsh era cotado para outras funções durante a administração republicana.
Ao mesmo tempo, Miran – nomeado por Trump em agosto para o conselho do banco central, após chefiar o Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca – passa a ser uma das vozes mais próximas do ex-presidente no Comitê de Governadores.
A confirmação de Warsh poderá sofrer atrasos. O senador Thom Tillis (R-Carolina do Norte), membro do Comitê Bancário do Senado, anunciou que bloqueará qualquer votação de indicados ao Fed enquanto o Departamento de Justiça não encerrar a investigação que envolve Jerome Powell. Para superar o impasse, seria necessário um raro processo de “discharge” no plenário, que requer 60 votos – número improvável na Câmara Alta atualmente dividida.
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O banco central também enfrenta outras tensões. A governadora Lisa Cook trava na Suprema Corte uma disputa judicial contra o governo Trump, e a investigação federal sobre Powell continua em andamento, embora o presidente do Fed não tenha sido formalmente acusado.
Independentemente da data em que o Senado analisará o nome de Warsh, as declarações de Miran sinalizam possíveis mudanças na forma como o Federal Reserve equilibra antecipação de tendências econômicas e respostas a dados oficiais, além de indicar uma relação mais alinhada com a Casa Branca no curto prazo.