Genebra (Suíça) – A Organização Mundial do Comércio (OMC) reduziu nesta quinta-feira (19) a estimativa de crescimento do comércio global de mercadorias para 1,9% em 2026, bem abaixo dos 4,6% previstos anteriormente para 2025.
De acordo com relatório divulgado pela entidade, a piora no cenário está ligada à alta prolongada dos preços de energia e às interrupções nas rotas marítimas provocadas pelo conflito no Oriente Médio. A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, afirmou que a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã pressiona as cadeias de suprimento e ameaça frear ainda mais as trocas internacionais.
Se os valores do petróleo bruto e do gás natural liquefeito (GNL) permanecerem elevados ao longo de 2026, economistas da organização calculam que o crescimento do comércio de bens pode cair para 1,4%.
O relatório também alerta que um bloqueio prolongado no estreito de Hormuz, responsável por cerca de um terço das importações globais de ureia usada em fertilizantes, atingiria produtores como Índia, Tailândia e Brasil, ampliando riscos à segurança alimentar.
A manutenção dos preços elevados de combustíveis pode subtrair 0,5 ponto percentual do avanço do comércio mundial, afetando principalmente importadores da Ásia e da Europa, que dependem fortemente de fontes externas de energia.
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Para o comércio de serviços, a OMC cortou a previsão de expansão de 4,8% para 4,1%, citando cancelamentos de voos e atrasos no transporte marítimo. Em 2025, o segmento havia crescido 5,3%.
No ano passado, as trocas relacionadas à inteligência artificial e o adiantamento de embarques para fugir de tarifas aplicadas pelos Estados Unidos ajudaram o comércio global a superar as expectativas, lembra a OMC.