A Open English passou a utilizar um assistente virtual batizado de Jenny para acelerar o aprendizado de inglês de seus alunos, mantendo, contudo, todos os docentes nas salas de aula. A ferramenta de inteligência artificial ficará de prontidão nas aulas ao vivo para aplicar testes de pronúncia e sugerir exercícios personalizados, enquanto o professor conduz o conteúdo principal.
Segundo o fundador e presidente‐executivo Andrés Moreno, testes internos realizados no fim de 2025 com mil estudantes mostraram 96% de aprovação. Para ele, a tecnologia amplia a participação de alunos mais tímidos, que podem treinar individualmente com o chatbot antes de se expor em turmas maiores. “Identificamos que a ligação humana segue sendo essencial; a IA entra para apoiar, não para substituir”, afirmou o executivo.
A estreia oficial do modelo batizado de FluentIA ocorrerá na rede estadual de ensino de São Paulo, dentro do programa Prontos pro Mundo. O contrato, divulgado nesta quarta‐feira (4) na capital paulista, envolve R$ 150 milhões e prevê capacitar 70 mil estudantes a partir de 11 de fevereiro. O projeto também patrocinará intercâmbios para mil alunos em Canadá, Reino Unido, Nova Zelândia, Irlanda e Austrália, cobrindo despesas de passaporte, visto, passagens, hospedagem e auxílio para roupas de inverno.
As aulas poderão ser feitas nos laboratórios de informática das escolas no contraturno. A Secretaria da Educação fornecerá chips de internet aos participantes para garantir acesso à plataforma.
Com presença em 26 países e mais de 3 milhões de matrículas, a Open English concentra as receitas no ensino para crianças de 8 a 15 anos e para adultos. A companhia emprega mais de 1.500 pessoas no mundo — 200 no Brasil — e conta com 2.000 professores nativos. O faturamento não é divulgado.
Imagem: redir.folha.com.br
O formato business‐to‐government (B2G) já foi explorado em nações latino‐americanas como Colômbia, Uruguai, Chile e El Salvador. Para Moreno, parcerias com o poder público ampliam o alcance do produto em mercados onde o custo do ensino presencial individualizado é elevado e aplicativos puramente automáticos não entregam os resultados desejados.
Venezuelano radicado nos Estados Unidos, Moreno comentou ainda a conjuntura política da Venezuela e o debate sobre imigração nos EUA. Ele avalia que a participação norte‐americana foi decisiva para a transição rumo à democracia em seu país de origem e defende a permanência de imigrantes produtivos em solo americano, argumentando que políticas restritivas podem prejudicar a economia dos Estados Unidos.
Fundação: 2007
Funcionários: mais de 1.500 (200 no Brasil) e 2.000 professores nativos
Principais mercados: Brasil, Estados Unidos e México
Concorrentes: Wizard, Native Camp, Cultura Inglesa