Ouro recua 22% desde o recorde de janeiro mesmo com tensão no Irã e intriga investidores

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São Paulo, 18 de março de 2025 – O preço do ouro voltou a ceder no mercado internacional, contrariando a imagem de porto seguro em momentos de crise. A onça-troy foi negociada hoje a US$ 4.348,20 na mínima intradiária em Nova York, queda de 22% em relação ao recorde de US$ 5.586,20 atingido em 29 de janeiro. Desde o início do conflito no Irã, em 28 de fevereiro, a desvalorização alcança 16%.

Venda forçada e ajuste técnico pressionam cotações

Analistas apontam três fatores principais para a reversão:

1. Necessidade de liquidez no Oriente Médio. De acordo com Danilo Moreno, da Investo, produtores da região, impactados pela queda nas receitas de petróleo e gás, estariam liquidando ativos líquidos, inclusive ouro e Treasuries, para cobrir despesas imediatas.

2. Desmonte de posições especulativas. A valorização histórica atraiu forte fluxo para ETFs de ouro nos últimos meses. Com o início da correção, investidores desmontaram posições rapidamente, ampliando as vendas.

3. Ambiente de juros nos Estados Unidos. A postura cautelosa do Federal Reserve em relação aos cortes de juros elevou os rendimentos dos títulos públicos, aumentando o custo de oportunidade de manter o metal, que não remunera o detentor.

Cenário macro e projeções

Rodrigo Marques, economista-chefe da Nest Asset, vê espaço para a correção continuar até o patamar de US$ 4.200, mas mantém perspectiva de alta no longo prazo, sustentada pela demanda de bancos centrais.

Moreno reforça que tanto as vendas pontuais do Oriente Médio quanto o ajuste em ETFs têm caráter temporário. Já o componente de juros pode perdurar até o fim do atual ciclo de aperto monetário nos EUA.

Para Marcos Praça, da Zero Markets, o conflito no Irã deflagrou uma corrida por dólar e realização de lucros em um momento em que o ouro já estava “esticado”. Ele destaca que a alta dos rendimentos dos Treasuries, diante do risco de pressão inflacionária via petróleo, reforçou a migração de recursos para a renda fixa norte-americana.

Como o investidor brasileiro acessa o metal

No Brasil, a exposição pode ser obtida por meio de ETFs negociados na B3, como GLDX11, OURO11, AURO11, GOLD11, GOLX11 e GOLB11. Segundo Moreno, o recuo recente oferece ponto de entrada potencial, mas a alocação deve ser gradual por conta da volatilidade ligada aos juros norte-americanos.

Fundamentos de longo prazo seguem favoráveis

Apesar da queda expressiva, especialistas como Robin Brooks, ex-estrategista do Goldman Sachs, mantêm visão construtiva para o ouro no horizonte mais amplo. Entre os argumentos estão o aumento dos gastos globais com defesa, a deterioração fiscal em grandes economias e a continuidade das compras de bancos centrais emergentes para diversificação de reservas.

Enquanto isso, o desenrolar do conflito no Irã e a trajetória dos juros nos Estados Unidos permanecem como variáveis-chave para o comportamento do metal nos próximos meses.

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