Governo discute pacote contra endividamento enquanto taxa Selic elevada dificulta cortes de juros

Mercado Financeiro1 hora atrás10 Visualizações

No ano eleitoral de 2026, integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva discutem novas medidas para enfrentar o endividamento de famílias e empresas, ao mesmo tempo em que a taxa básica de juros, a Selic, permanece em 14,75% ao ano.

O programa Desenrola, anunciado durante a transição pelo então ministro da Fazenda Fernando Haddad, é apontado pelo Executivo como bem-sucedido na renegociação de débitos. Porém, autoridades admitem que o resultado foi limitado pela manutenção dos juros em patamar elevado por período prolongado.

Juros altos e aumento da inadimplência

Com a Selic chegando a 15% em 2025, o volume de dívidas cresceu entre trabalhadores formais, informais e empresas de todos os portes. Segundo críticos da política econômica, o número de inadimplentes subiu em 9 milhões desde o lançamento do Desenrola.

Nos últimos anos, o governo adotou incentivos ao consumo por meio da expansão do crédito, buscando sustentar o Produto Interno Bruto mesmo com o aperto monetário conduzido pelo Banco Central. Esses estímulos, aliados a outros gastos públicos, ajudaram a manter a atividade econômica aquecida.

Novo cenário de pressões inflacionárias

A recente redução da Selic coincidiu com o conflito no Irã, que elevou os preços internacionais do petróleo. O Banco Central passou a projetar choque inflacionário, reduzindo o espaço para cortes mais agressivos nos juros.

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Imagem: redir.folha.com.br

Em relatório divulgado neste semestre, a autoridade monetária recomendou cautela na concessão de crédito. O documento aponta que o ambiente de juros elevados, somado ao alto endividamento, mantém riscos para micro, pequenas e médias empresas, além de indicar sinais de deterioração na capacidade de pagamento de grandes companhias.

Pacote em elaboração

O Palácio do Planalto estuda um pacote para reestruturar dívidas consideradas mais onerosas, tanto de pessoas físicas quanto de empresas. A expectativa é reduzir o custo financeiro e aliviar a situação de adimplência.

Integrantes da equipe econômica alertam, contudo, que o programa não deve ser transformado em medida de estímulo adicional ao consumo durante o período eleitoral, o que poderia agravar o endividamento no médio prazo.

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