A Allos (ALOS3) firmou na última sexta-feira (10) um acordo com a gestora Kinea para a criação de um fundo imobiliário estimado em R$ 2 bilhões. A operação, segundo análises de grandes bancos, tem potencial para ampliar em até 8 pontos percentuais o retorno em dividendos projetado para 2026, hoje em torno de 12%, podendo levar o yield do período a ultrapassar 20%.
O pagamento à administradora de shoppings ocorrerá em três etapas:
• 56% à vista – valor que ingressa imediatamente no caixa;
• 24% em cotas do FII – transformando a companhia em cotista do Kinea Allos Malls FII e garantindo participação nos rendimentos;
• 20% parcelados – três prestações anuais corrigidas pela inflação, ao longo de até quatro anos.
De acordo com o Goldman Sachs, no piso da oferta (R$ 790 milhões), a Allos receberia cerca de R$ 442 milhões de forma imediata. No teto (R$ 1,97 bilhão), o montante à vista pode alcançar aproximadamente R$ 1,1 bilhão.
Os sete shoppings que comporão o portfólio do fundo — entre eles Villa Lobos, Metrô Santa Cruz e Plaza Sul, em São Paulo — continuarão sob administração da Allos, que cobrará taxa de gestão anual de 0,8% sobre o patrimônio do FII, dividida com a Kinea.
Para o JPMorgan, o acordo libera valor para os acionistas sem que a empresa perca o controle operacional dos empreendimentos, além de reforçar os proventos. O Santander destaca que os recursos da operação sustentam os pagamentos de dividendos nos próximos anos, enquanto o Bradesco BBI afirma que a política de distribuição da Allos permanece inalterada.
Imagem: infomoney.com.br
Hoje, a companhia paga entre R$ 0,28 e R$ 0,30 por ação mensalmente, amparada por reservas de R$ 2,1 bilhões até 2028. Nos últimos 12 meses, o retorno em proventos alcançou 11,42%, patamar que já colocava a ação entre as mais recomendadas para dividendos.
• JPMorgan: recomendação de compra, preço-alvo de R$ 40.
• Santander: compra, preço-alvo de R$ 38,50; estima impacto positivo entre 0,7% e 2% no valor da ação, conforme a captação do fundo.
• Bradesco BBI: compra, preço-alvo de R$ 37; vê o negócio como retomada da estratégia de reciclagem de capital e abertura de um canal permanente para novas transações.
• Goldman Sachs: recomendação neutra, preço-alvo de R$ 29; reconhece o mérito da operação, mas ressalta que parte do pagamento será diferida e que alguns ativos transferidos são de alta qualidade. Ainda assim, projeta aumento de 4% a 10% no lucro por ação em 2027.
No pregão de sexta-feira (10), os papéis da Allos fecharam a R$ 32,29. Nesta segunda-feira (13), as ações eram negociadas por volta de R$ 33 durante o dia.
Com a preferência de compra de futuros ativos da Allos e possibilidade de participações conjuntas em novas aquisições, o Kinea Allos Malls FII torna-se um veículo permanente de negócios entre as duas empresas.