Bruxelas, 21 jan. 2026 – O Parlamento Europeu anunciou nesta quarta-feira (21) a suspensão dos trabalhos sobre duas propostas legislativas que abririam caminho para um novo acordo comercial entre União Europeia e Estados Unidos. A decisão foi tomada após parlamentares acusarem Washington de ameaçar a soberania da Dinamarca e da Groenlândia com a imposição de tarifas.
“Diante das ameaças contínuas e crescentes, incluindo tarifárias, contra a Groenlândia, a Dinamarca e seus aliados europeus, não nos resta alternativa a não ser interromper o processo até que os EUA optem por cooperação em vez de confrontação”, afirmou em nota Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional da casa.
Os textos – conhecidos como iniciativas Turnberry – previam eliminar tarifas sobre todos os bens industriais norte-americanos e criar um novo sistema tarifário para a maioria dos produtos agrícolas e alimentícios dos EUA que entram no bloco.
Falando no Fórum Econômico Mundial, em Davos, também nesta quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou não querer recorrer à força para pressionar aliados da OTAN, mas insistiu que apenas Washington teria condições de “controlar e proteger” a Groenlândia.
“Tudo o que os Estados Unidos pedem é um lugar chamado Groenlândia”, disse Trump no discurso. “Já atuamos como tutores lá e, respeitosamente, devolvemos o território à Dinamarca pouco depois de vencermos a Segunda Guerra Mundial.”
Trump voltou a defender que o controle norte-americano da ilha aumentaria a segurança tanto dos EUA quanto da Europa. “A União Europeia precisa que fiquemos com a Groenlândia, e eles sabem disso”, declarou.
Imagem: Stephen Sorace FOXBusiness via foxbusiness.com
No último domingo (18), mais de meia dúzia de países europeus divulgaram comunicado conjunto classificando como “prejudiciais às relações transatlânticas” as ameaças de tarifas lançadas pela Casa Branca. Em postagem na rede Truth Social, Trump ameaçou impor tarifa de 10% a oito nações europeias caso não fosse fechado um acordo para a “compra completa e total” da ilha ártica.
Maior ilha do mundo, a Groenlândia administra seus assuntos internos, mas permanece parte do Reino da Dinamarca. Situada no Ártico, a região é considerada estratégica por seu posicionamento geográfico e por recursos naturais.
A paralisação das negociações no Parlamento Europeu representa mais um revés nas relações comerciais entre Washington e Bruxelas e amplia a tensão diplomática em torno do futuro da Groenlândia.