Silveira afirma que Petrobras agiu corretamente ao demitir diretor após críticas de Lula

Mercado Financeiro11 horas atrás12 Visualizações

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, declarou nesta quarta-feira (8) que a Petrobras tomou a decisão certa ao dispensar o diretor de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Schlosser, quatro dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter criticado um leilão de gás de cozinha realizado pela companhia.

Durante um encontro com lideranças do setor de energia no Rio de Janeiro, Silveira disse que a estatal “se tocou” diante da indignação manifestada por Lula. O leilão, promovido no fim de abril, registrou ágio de até 117% em alguns lotes, fato que motivou a reação do presidente. “Foi um passo necessário para defender preços menores de produtos essenciais como gasolina, diesel e gás”, afirmou o ministro.

Questionado se o governo solicitou a saída de Schlosser, Silveira não confirmou nem negou. “O presidente Lula expressou sua indignação, e a Petrobras fez o que considerou correto”, limitou-se a dizer. Ele ressaltou que o governo respeita a governança da companhia, mas criticou a realização do leilão “em momento tão grave” para o custo dos combustíveis.

A demissão de Schlosser foi anunciada na segunda (6). Segundo a Petrobras, o leilão foi organizado por uma gerência subordinada ao diretor sem aval da cúpula. Como empregado concursado, Schlosser retorna ao quadro técnico e será substituído pela atual diretora de Transição Energética, Angélica Laureano.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, era esperada no mesmo evento desta quarta, mas não compareceu. A estatal ainda não divulgou explicações detalhadas sobre o desligamento.

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Imagem: redir.folha.com.br

A ampliação do acesso ao gás de cozinha é uma das principais bandeiras de Lula. Em 2025, o governo criou o programa Gás do Povo, que oferece botijões gratuitos a 15 milhões de famílias de baixa renda. Na época do leilão, o Executivo negociava com a Petrobras um subsídio ao GLP importado para evitar aumentos de preço. O apoio financeiro foi confirmado apenas na segunda, quando distribuidores já recebiam o produto com novos valores.

Representantes da revenda alegam que o acréscimo foi repassado integralmente e pedem reajuste no preço de venda do Gás do Povo, sob risco de descredenciamento de pontos de distribuição.

Esta foi a primeira vez, no terceiro mandato de Lula, que um diretor da Petrobras perdeu o cargo após uma crítica pública do presidente. Em maio de 2024, Lula já havia substituído o então presidente da estatal, Jean Paul Prates, após divergências com Silveira. No governo anterior, o ex-presidente Jair Bolsonaro demitiu três presidentes da empresa em contexto de alta nos combustíveis: Roberto Castello Branco (2021), Joaquim Silva e Luna (2022) e José Mauro Ferreira Coelho (2022).

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