As companhias petrolíferas dos Estados Unidos podem adicionar US$ 63,4 bilhões (cerca de R$ 333 bilhões) ao fluxo de caixa em 2026 caso o barril de petróleo americano mantenha média de US$ 100 ao longo do ano, segundo projeção da consultoria Rystad Energy.
Estimativas do banco de investimentos Jefferies indicam um ganho imediato de US$ 5 bilhões (R$ 26 bilhões) apenas em março, refletindo alta aproximada de 47% nos preços desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, em 28 de fevereiro. O West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, encerrou a sexta-feira (13) a US$ 98,71 o barril, enquanto o Brent superou a marca de US$ 100 na quinta-feira (12).
O aumento de preços favorece principalmente produtoras de xisto sem grande atuação no Oriente Médio. Já gigantes como ExxonMobil, Chevron, BP, Shell e TotalEnergies enfrentam interrupções em instalações na região após o fechamento do Estreito de Hormuz, rota por onde circula cerca de um quinto do petróleo e do gás do planeta.
A Shell, por exemplo, declarou força maior e suspendeu embarques de gás natural liquefeito (GNL) programados a partir da planta Ras Laffan, operada pela QatarEnergy. A SLB (ex-Schlumberger) alertou investidores que revisará para baixo suas previsões de lucro devido às dificuldades operacionais.
Segundo a Rystad, BP e Exxon geram mais de 20% do fluxo de caixa livre previsto para 2026 a partir de ativos no Oriente Médio. Para TotalEnergies essa fatia é de 14%, enquanto Shell e Chevron dependem da região em 13% e 5%, respectivamente.
O bloqueio no Estreito de Hormuz mantém retidos cerca de 18 milhões dos 20 milhões de barris que normalmente cruzam a passagem diariamente. A paralisação atinge também o mercado de GNL, com cerca de 20% da oferta global comprometida.
O RBC Capital Markets projeta que o conflito se estenda até a primavera do hemisfério norte, com possibilidade de o Brent superar US$ 128 por barril nas próximas três a quatro semanas. Mesmo assim, analistas do Bank of America veem recuo para US$ 75 “em questão de meses”.
Imagem: redir.folha.com.br
Desde o início da crise, as ações da Exxon subiram 2%, para US$ 156,12, desempenho inferior ao de BP (+11%) e Shell (+9%), favorecidas por operações de trading que lucram com a volatilidade. A norueguesa Equinor, sem exposição ao Oriente Médio, lidera os ganhos entre as grandes ocidentais e se beneficia ainda da alta do gás na Europa após a suspensão de entregas de GNL pela QatarEnergy. Refinadoras como Neste e Repsol também registraram forte valorização devido à escassez de derivados de petróleo da região.
Em pronunciamento nas redes sociais, o presidente dos EUA, Donald Trump, destacou: “Os Estados Unidos são, de longe, o maior produtor de petróleo do mundo. Então, quando os preços sobem, ganhamos muito dinheiro”.
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou na quinta-feira (12) que as forças iranianas manterão o Estreito de Hormuz fechado enquanto busca ampliar pressão sobre Washington e Tel Aviv, sinalizando que a normalização do tráfego marítimo não deve ocorrer a curto prazo.
Martin Houston, presidente da Omega Oil and Gas, resumiu o clima no setor: “Não há vencedores nessa situação, e certamente não são as companhias internacionais de petróleo. Elas prefeririam o status quo de duas semanas atrás a uma crise que apenas eleva temporariamente os preços”.