Os preços do petróleo fecharam em forte alta nesta quinta-feira (8), depois de duas sessões seguidas de queda. Os investidores reagiram aos desdobramentos políticos na Venezuela e a possíveis restrições de oferta envolvendo Rússia, Iraque e Irã.
O Brent subiu US$ 2,03, ou 3,4%, para US$ 61,99 o barril, o maior fechamento desde 24 de dezembro. Já o West Texas Intermediate (WTI) avançou US$ 1,77, ou 3,2%, para US$ 57,76.
Embaixadas estrangeiras em Caracas preparam visitas para a próxima semana que devem incluir representantes de petrolíferas norte-americanas e europeias. A movimentação ocorre após Washington anunciar um acordo de US$ 2 bilhões envolvendo petróleo e o envio de produtos dos Estados Unidos à Venezuela.
Na quarta-feira, autoridades norte-americanas apreenderam dois navios ligados à Venezuela no Atlântico; um deles navegava sob bandeira russa. A ação faz parte da estratégia do presidente dos EUA, Donald Trump, de controlar fluxos de petróleo na região e pressionar o governo venezuelano.
Depois da captura do presidente Nicolás Maduro em uma operação militar em Caracas no sábado, Washington intensificou o bloqueio a embarcações sob sanções que trafegam de ou para o país membro da Opep.
Consultores da Ritterbusch and Associates afirmaram que, apesar do impacto político, a chegada de volumes significativos de petróleo venezuelano à Costa do Golfo dos EUA pode levar anos, o que limita efeitos imediatos sobre o mercado.
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O Senado norte-americano aprovou nesta quinta-feira uma resolução que impede Trump de realizar novas ações militares contra a Venezuela sem autorização legislativa. Mesmo assim, o presidente declarou que a supervisão sobre o país sul-americano pode durar anos.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse ver espaço para equilibrar a atuação de Washington e Pequim na Venezuela, mas ressaltou que não permitirá maior controle chinês sobre o país. Wright também previu expansão rápida das operações da Chevron e demonstrou expectativa de participação de ConocoPhillips e Exxon Mobil.
A Casa Branca chamou executivos das tradings Vitol e Trafigura para uma reunião na sexta-feira sobre a comercialização do petróleo venezuelano. A indiana Reliance Industries, que opera o maior complexo de refino do mundo, afirmou que considerará comprar petróleo venezuelano se puder vendê-lo a clientes fora dos Estados Unidos.
A produção da Venezuela representa cerca de 1% da oferta global de petróleo.