São Paulo – O preço do petróleo perdeu força nesta sexta-feira (13) depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o país poderá escoltar embarcações que cruzam o estreito de Hormuz, ponto de passagem de cerca de 20% do comércio global de óleo e gás.
O barril do Brent, referência internacional, havia superado a marca de US$ 100 pela primeira vez desde julho de 2022 na véspera. Às 5h (horário de Brasília) desta manhã, chegou a US$ 102,73. A partir das 7h30, contudo, o movimento se inverteu e, às 10h20, a cotação caía 1,01%, para US$ 99,45 (R$ 520,48).
No mercado norte-americano, o WTI (West Texas Intermediate) recuava 1,8%, negociado a US$ 94,01 (R$ 492,01) no mesmo horário.
Trump declarou que “atacará o Irã com muita força na próxima semana” e determinou que forças norte-americanas escoltem navios se necessário. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, antecipou para esta sexta-feira o que chamou de “maior ataque” ao Irã já realizado pelos EUA.
Na quinta-feira (12), Teerã prometeu ampliar ataques a instalações petrolíferas na região e manter o bloqueio ao estreito. Nesta manhã foram registrados bombardeios a instalações no distrito financeiro de Dubai, reivindicados pela Guarda Revolucionária iraniana.
Com países do Golfo reduzindo produção e petroleiros impedidos de navegar, as cotações de referência avançaram entre 40% e 50% desde 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), cerca de 10 milhões de barris por dia deixaram de ser produzidos desde então, cenário que pode configurar “a maior interrupção de abastecimento” da história do setor.
Para Xavier Chapard, estrategista da LBPAM, a estratégia iraniana de desorganizar o mercado se materializa “com o fechamento de fato do estreito de Hormuz e ataques a petroleiros e portos”. Já Chris Weston, analista da Pepperstone, avalia que o mercado precifica um conflito prolongado e continuidade das restrições ao tráfego na rota.
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A incerteza levou investidores a evitar ativos de risco durante a madrugada, provocando queda nas bolsas asiáticas. Após as declarações de Trump, porém, as praças europeias e o pré-mercado dos EUA passaram a registrar ganhos.
Europa às 10h (horário de Brasília): Euro Stoxx 600 +0,33%; Frankfurt +0,29%; Londres +0,26%; Paris +0,06%; Madri +0,52%; Milão +0,55%.
EUA – pré-abertura: Dow Jones +0,43%; Nasdaq +0,42%; S&P 500 +0,44%.
Ásia – fechamento: CSI 300 (Xangai e Shenzhen) −0,39%; SSEC (Xangai) −0,82%; Nikkei (Tóquio) −1,16%; Kospi (Seul) −1,72%; Taiwan Weighted −0,54%; Hang Seng (Hong Kong) −1,11%.
O ouro, tradicional porto seguro, permanecia praticamente estável, oscilando 0,02% para baixo, a US$ 5.125,90 (R$ 26,82 mil).