São Paulo | Bloomberg
Os contratos de petróleo iniciaram a sessão de segunda-feira (6) em alta, impulsionados pela escalada do conflito no Oriente Médio e por ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ampliar os ataques contra o Irã.
Às 20h48, o Brent avançava 2,29%, cotado a US$ 111,53 por barril. No mesmo horário, o WTI (West Texas Intermediate) subia 2,36%, para US$ 114,17.
Em declarações cada vez mais duras, Trump afirmou que destruirá usinas de energia iranianas caso Teerã não aceite suas condições e reabra o estreito de Hormuz. O governo iraniano rejeitou as exigências, mantendo o canal fechado para a maior parte do tráfego marítimo.
O presidente norte-americano disse que concederá uma entrevista coletiva às 13h desta segunda (6) e mencionou um prazo adicional para as 20h de terça-feira (7), sem detalhar o objetivo. Em 26 de março, ele já havia dado ao Irã dez dias para liberar Hormuz, prazo que expira na noite desta segunda.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+) alertou que os danos à infraestrutura energética provocados pela guerra terão efeitos prolongados sobre a oferta mundial, mesmo depois do fim das hostilidades. No fim de semana, o grupo aprovou um aumento simbólico nas cotas de produção.
O choque de oferta gerado pelo conflito desencadeou uma crise energética global, elevando os preços do petróleo e de derivados, alimentando pressões inflacionárias e freando o crescimento econômico em diversos países.
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O estreito, que liga o Golfo Pérsico aos principais mercados consumidores da Ásia, permanece no centro da disputa. Teerã permite a passagem de apenas algumas embarcações: recentemente, um porta-contêiner francês, um petroleiro de propriedade japonesa e navios da Malásia e do Paquistão conseguiram cruzar a rota.
No sábado, o Irã anunciou isenção para o Iraque, o que pode abrir espaço para maior volume de exportações de petróleo. Um representante iraquiano, contudo, afirmou que o fluxo dependerá da disposição das empresas de navegação em assumir o risco.
O mercado reage às mensagens contraditórias de Trump, que alterna prognósticos de fim próximo da guerra com ameaças de intensificar os ataques, além de um histórico de prazos que acabam não sendo cumpridos. Essa combinação mantém os investidores em estado de alerta e contribui para a volatilidade dos preços.
A negociação do petróleo segue sob forte influência dos desdobramentos diplomáticos e militares, enquanto agentes financeiros aguardam novos pronunciamentos de Washington e sinais sobre a possível reabertura de Hormuz.