Brasília – A Polícia Federal abriu novo inquérito para investigar se o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, escondeu a aquisição de ações do Banco de Brasília (BRB) por meio de uma estrutura de fundos de investimento administrados pela Reag Investimentos.
De acordo com investigadores, a suspeita é de que Vorcaro, o ex-sócio do Master Maurício Quadrado e o fundador da Reag, João Carlos Mansur, compraram ações como pessoas físicas, mas registraram os papéis em nome de terceiros mantidos nos fundos, descumprindo regras de transparência sobre a titularidade.
Os indícios apontam para contratos simulados em dois aumentos de capital do BRB realizados em 2024 e 2025. Na primeira operação, o fundo Borneo, administrado pela Reag, adquiriu 44 % das novas ações. Na segunda, em dezembro de 2025, o fundo Deneb, ligado ao Master, comprou outra parcela.
Segundo a apuração, as mesmas pessoas e veículos de investimento que teriam participado dessas compras também aparecem no esquema de aquisição fraudulenta de carteiras de crédito consignado, no valor de R$ 12,2 bilhões, investigado no banco público do Distrito Federal.
As suspeitas surgiram a partir de relatório elaborado pelo escritório Machado Meyer Advogados, com apoio da Kroll, contratado pelo BRB para examinar a gestão anterior, chefiada por Paulo Henrique Costa. O novo presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, entregou o dossiê à Polícia Federal na quinta-feira (29). Documentos também foram encaminhados ao Banco Central e ao gabinete do ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou, em nota, que o Banco Master possuía participação no BRB por meio de holding regularmente registrada, dentro das normas do Banco Central, e que o empresário colabora com as autoridades.
Representantes de Maurício Quadrado disseram que sua participação decorre da aquisição, no mercado secundário, de recibos de subscrição já quitados, operação que, segundo eles, não gerou entrada de novos recursos no BRB nem alterou o patrimônio do banco.
Imagem: redir.folha.com.br
A reportagem não obteve resposta da defesa de João Carlos Mansur.
Com a meta de compensar possíveis prejuízos causados pela compra de carteiras de crédito, o BRB estuda requerer judicialmente o arresto de ações em poder dos fundos ligados a Vorcaro. Após a entrega do relatório à PF, o banco atualizou seu formulário de referência na Comissão de Valores Mobiliários e passou a listar Mansur como um de seus maiores acionistas, com 4,5 % do capital total — 1,8 milhão de ações ordinárias (0,5 %) e 20,3 milhões de preferenciais (12,2 %).
Em comunicado, o BRB informou que identificou “achados relevantes” na apuração independente e notificou os órgãos competentes, além de atualizar a composição acionária divulgada ao mercado.
A auditoria externa também constatou que o banco possui participação em oito fundos relacionados ao esquema investigado no Master, somando cerca de R$ 8 bilhões em ativos, dois deles com investimentos em empresas ligadas a Vorcaro.