PF bloqueia R$ 24 milhões, prende suspeito e apreende helicóptero em operação contra garimpo de manganês

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A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (27) a Operação Nêmesis para desarticular um esquema de extração e venda ilegal de manganês proveniente da região de Carajás, no sudeste do Pará. A Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 24 milhões atribuídos às transações criminosas. Os agentes também prenderam, em Belém, o empresário Jamil Silva Amorim, apontado como líder do grupo, e apreenderam joias e um helicóptero.

Segundo a investigação, o mineral era retirado de garimpos clandestinos conhecidos como Dão e Marílio, em Marabá (PA), e encaminhado à China, maior consumidora mundial de manganês. O transporte partia por trem, operado pela VLI Logística, até o porto de São Luís (MA), de onde seguia para exportação.

Estrutura do esquema

De acordo com a PF, Amorim criava ou adquiria empresas de fachada detentoras de direitos minerários para “esquentar” o minério extraído ilegalmente. As firmas declaravam às autoridades que o produto vinha de áreas regulares, embora não houvesse atividade nessas localidades. O esquema estaria ativo desde 2019.

As jazidas clandestinas ficam em regiões que abrangem oito processos minerários: um sob titularidade da Vale e sete cuja titularidade foi transferida pela mineradora para a WMA, companhia com sede nos Emirados Árabes Unidos. Nenhuma dessas empresas é investigada na operação.

Mandados e apreensões

No total, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva nas cidades de Belém e Parauapebas (PA), Goiânia (GO) e Belo Horizonte (MG). Além do helicóptero, joias e documentos foram recolhidos pelos policiais.

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Imagem: redir.folha.com.br

Posicionamento das empresas

A Vale informou que, ao identificar mineração ilegal em suas áreas, notifica a Agência Nacional de Mineração (ANM) e solicita providências. A VLI declarou que só movimenta cargas aprovadas pela ANM e que suspendeu o transporte assim que foi comunicada oficialmente sobre as suspeitas. A WMA não respondeu aos contatos da reportagem.

Contexto do mercado

O Brasil detém a quarta maior reserva de manganês do planeta e o Pará concentra parte significativa das jazidas. Consultorias do setor estimam que cerca de 30% da produção nacional esteja em mãos de garimpeiros ilegais. O mineral é usado majoritariamente na siderurgia, mas vem ganhando importância na fabricação de baterias para veículos elétricos, segmento que pode elevar o preço do produto nos próximos anos.

A Operação Nêmesis é um desdobramento das operações Dolos I e II, realizadas em 2024, que também miraram a cadeia ilegal de manganês na região.

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