São Paulo e Brasília — A Polícia Federal apura se a Maridt, empresa que foi sócia do fundo Arleen no resort Tayayá, no Paraná, realizou transferências de dinheiro para o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.
A Maridt pertence aos irmãos do magistrado, José Eugenio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli. Segundo investigadores, uma das linhas de trabalho indica que os repasses teriam ocorrido depois que os dois venderam suas cotas no empreendimento para o fundo Arleen, que integra uma estrutura ligada ao Banco Master.
Entre 2021 e 2025, o resort foi controlado conjuntamente pelos irmãos do ministro, por um primo deles e pelo fundo Arleen. O Arleen, por sua vez, era de propriedade do fundo Leal, que, de acordo com informações publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, tem como beneficiário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Durante as investigações, a PF encontrou no telefone de Vorcaro conversas que envolvem o nome de Dias Toffoli. O teor dos diálogos, revelado pelo UOL e confirmado pela Folha com autoridade que acompanha o caso, foi levado pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, ao presidente do STF, ministro Edson Fachin.
Segundo pessoas próximas, Toffoli afirma não manter contato com Vorcaro, embora reconheça que pode haver mensagens em que o banqueiro mencione seu nome. O Supremo não se manifestou sobre o assunto.
Com base no material obtido, a PF solicitou a Fachin a abertura de novas frentes de investigação que incluam o ministro. O encontro ocorreu na segunda-feira (9).
O relatório da PF encaminhado a Fachin menciona elementos que poderiam justificar a declaração de suspeição de Toffoli na relatoria do inquérito. Em resposta, Fachin intimou o colega a se manifestar.
Imagem: redir.folha.com.br
O gabinete de Toffoli qualificou o pedido como “ilações” e argumentou que a PF não tem legitimidade para suscitar a suspeição, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil. A defesa informou que apresentará os esclarecimentos diretamente ao presidente da Corte.
Uma solicitação anterior de suspeição havia sido direcionada pela PF à Procuradoria-Geral da República, mas o procurador-geral, Paulo Gonet, não prosseguiu com o tema, alegando já ter afastado questionamento semelhante feito por parlamentares.
Ministros do STF avaliam que a prerrogativa para levantar suspeição é exclusiva da PGR. Mesmo assim, o rito processual levou Fachin a notificar Toffoli.
As mesmas investigações sobre o Banco Master apontam menções a políticos com foro especial. Conforme a PF, esses indícios deverão tramitar no Supremo. Na fase inicial da Operação Compliance Zero, foram quebrados sigilos, apreendidos documentos e analisado o celular de Daniel Vorcaro, preso à época.
As apurações continuam sob responsabilidade da Polícia Federal, que aguarda decisão do STF sobre os próximos passos.