A caderneta de poupança registrou saques líquidos de R$ 85,568 bilhões em 2025, completando o quinto ano consecutivo de retiradas e acumulando perdas de R$ 327,59 bilhões desde 2021, segundo dados do Banco Central. Com isso, o saldo total aplicado caiu para R$ 1,022 trilhão ao fim do ano passado.
O principal fator para a fuga de recursos é a rentabilidade. De 2021 a 2025, a poupança rendeu 43,47%, enquanto o CDI entregou 68,16% brutos — ou 57,94% líquidos, após imposto de renda de 15%. Em um investimento de R$ 10 mil nesse período, o ganho seria de R$ 4.347 na poupança contra R$ 5.794 líquidos no CDI, diferença de R$ 1.447.
No recorte de dez anos, o contraste permanece: a poupança acumulou 98,61%, ante 144,19% do CDI bruto (ou 122,56% líquidos). Os mesmos R$ 10 mil renderiam R$ 2.395 a menos na caderneta.
Para Gustavo Assis, presidente da Asset Bank, a taxa Selic elevada expôs a remuneração reduzida da poupança. Produtos como Tesouro Selic, CDBs com liquidez diária, LCIs e LCAs passaram a oferecer segurança semelhante, proteção do Fundo Garantidor de Créditos ou isenção de imposto, mas com retorno mais alinhado ao cenário de juros.
Entre janeiro de 2024 e novembro de 2025, dados da Anbima mostram:
Imagem: infomoney.com.br
Edgar Araújo, presidente da Azumi Investimentos, afirma que o fluxo para outros papéis é uma resposta ao “novo preço do dinheiro”. Segundo ele, CDBs, LCIs, LCAs e debêntures incentivadas concentram a migração, apoiados por liquidez, garantia do FGC ou isenção fiscal.
Embora a poupança ainda possa servir para objetivos de curtíssimo prazo e valores reduzidos, Isabela Perez, head de Relações com Investidores da Rio Bravo Investimentos, destaca que plataformas digitais e open finance tornaram o acesso a produtos mais rentáveis tão simples quanto aplicar na caderneta. Pesquisa da Anbima indica que segurança (24%), facilidade de aplicar (20%) e confiança na marca (19%) seguem como motivos para manter recursos na poupança, mas tais atributos já são replicados por outros instrumentos.
Especialistas concordam que, fora situações muito específicas que exigem liquidez imediata e total simplicidade, a poupança perdeu competitividade em um mercado de renda fixa mais amplo e transparente.