WASHINGTON, 7 de maio de 2025 – Em sua primeira coletiva após a decisão do Federal Reserve de manter a taxa básica de juros inalterada, o presidente do banco central norte-americano, Jerome Powell, recusou-se a responder a perguntas sobre a investigação criminal aberta pelo Departamento de Justiça (DOJ), sobre seu possível futuro na instituição e sobre críticas de integrantes do governo.
Powell limitou-se a dizer que “não tinha nada a acrescentar” quando questionado se o Fed já havia respondido às intimações enviadas pelo DOJ. O inquérito apura declarações prestadas por ele ao Congresso a respeito da reforma da sede da autarquia, localizada no bairro de Foggy Bottom, em Washington.
Indagado se permaneceria no Fed após o término de seu mandato como presidente, em maio, Powell respondeu que “não é o momento nem o local” para discutir o assunto. Ele também evitou comentar eventual saída completa da instituição ou permanência como simples diretor.
Durante a coletiva, o presidente do banco central foi lembrado de que o senador republicano Thom Tillis, integrante do Comitê Bancário, prometeu bloquear qualquer indicação ao Fed, incluindo a do próprio Powell, até que o caso seja esclarecido. “Não tenho nada sobre isso”, afirmou o dirigente, que igualmente se recusou a detalhar conversas mantidas com parlamentares.
Powell remeteu os jornalistas ao vídeo divulgado em 11 de janeiro, no qual confirmou ter sido notificado pelo Departamento de Justiça e classificou a investigação como “sem precedentes” e motivada por pressão política. Na gravação, ele argumenta que a ameaça de processo criminal não se relaciona à reforma em si, mas ao fato de o Fed definir juros “com base no que melhor serve ao público, e não nas preferências do presidente”.
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A modernização dos dois edifícios que compõem a sede do Federal Reserve está estimada em US$ 2,5 bilhões, financiados com recursos próprios da autarquia. O banco central não depende de verbas do Congresso; sua receita vem principalmente de juros sobre títulos do Tesouro e de taxas cobradas a instituições financeiras.
Em depoimento ao Comitê Bancário do Senado em junho de 2025, Powell afirmou que a reforma não inclui itens de luxo como “novo mármore” ou “terraços ajardinados”, assinalando que os elevadores são antigos e que a estrutura atual apresenta problemas de segurança e impermeabilização.
Com o prosseguimento das investigações e a proximidade do fim de seu mandato, o futuro de Jerome Powell à frente do Federal Reserve permanece incerto.