Frankfurt, — O presidente do Banco Central da Alemanha, Joachim Nagel, manifestou apoio à criação de uma moeda digital do banco central (CBDC) lastreada no euro e à emissão de stablecoins denominadas em euro, durante discurso preparado para a recepção de Ano-Novo da Câmara de Comércio Americana em Frankfurt, realizada na segunda-feira.
Segundo Nagel, autoridades da União Europeia trabalham “intensamente” para lançar uma CBDC de varejo voltada ao público em geral. Ele acrescentou que uma versão de atacado, destinada a instituições financeiras, permitiria pagamentos programáveis em dinheiro de banco central.
“Vejo utilidade também nas stablecoins em euro, pois podem ser empregadas por pessoas físicas e empresas em transações transfronteiriças a baixo custo”, afirmou o dirigente.
Nagel destacou que ativos digitais atrelados ao euro poderiam aumentar a autonomia do bloco, reduzindo a dependência de stablecoins vinculadas ao dólar dos Estados Unidos. O tema ganha relevância após o então presidente norte-americano Donald Trump sancionar, meses atrás, uma lei que estabelece estrutura regulatória para stablecoins de pagamento — norma apelidada de GENIUS Act — cuja implementação completa está prevista para 18 meses após a assinatura ou 120 dias após a publicação das regulamentações correspondentes.
Na semana anterior, em encontro do Euro50 Group, o presidente do Bundesbank alertou que a predominância de stablecoins com lastro em dólar poderia prejudicar a política monetária doméstica e enfraquecer a soberania europeia. Esse risco não foi abordado em sua fala mais recente.
Imagem: cointelegraph.com
Em Washington, parlamentares e representantes da Casa Branca seguem negociando o texto final do projeto de lei conhecido como CLARITY Act, que busca estabelecer um arcabouço amplo para ativos digitais. Pontos relativos à remuneração de stablecoins dividem líderes do setor bancário e da indústria cripto, e ainda não foram definidos.
A discussão norte-americana ocorre paralelamente ao esforço europeu para criar instrumentos digitais de pagamento próprios, ressaltou Nagel, reforçando o interesse do bloco em manter competitividade e segurança em seus sistemas financeiros.