O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado prévia do Produto Interno Bruto, recuou 0,2% em dezembro e acumulou avanço de 2,5% em 2025, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (19). O resultado sinaliza perda de fôlego da economia e fortalece a expectativa de cortes de juros a partir de março, avalia a analista Lais Costa, da Empiricus Research.
De acordo com a especialista, embora as projeções no início do ano passado fossem pessimistas, diversos fatores impulsionaram o PIB ao longo de 2025, permitindo revisão para cima para algo próximo de 2,5%. “Agora observamos uma desaceleração, puxada sobretudo pelo agronegócio”, afirmou durante participação no programa Giro do Mercado.
Costa considera um crescimento de 2% em 2026 um cenário otimista, em razão de indicadores antecedentes mais fracos para o setor agropecuário. “Não devemos ter contribuição tão forte quanto a registrada no passado recente”, disse.
Sobre o impacto na política monetária, a analista avalia que o dado muda pouco a discussão imediata, mas compõe um quadro de atividade mais fraca e inflação mais benigna desde a última reunião do Copom. “Isso tende a dar ao Banco Central mais conforto para iniciar um ciclo de cortes de juros em ritmo um pouco mais acelerado em março”, destacou.
Imagem: Cecília de O via moneytimes.com.br
Na abertura, o Ibovespa operava em leve alta, com investidores repercutindo os números do IBC-Br e monitorando a temporada de balanços. Entre as companhias listadas, a Azul (AZUL53) chamou atenção: os papéis chegaram a recuar até 50% após a companhia concluir oferta de R$ 4,98 bilhões e homologar aumento de capital que resultou na emissão de 45,48 trilhões de novas ações.
Nos Estados Unidos, a ata da reunião de janeiro do Federal Reserve mostrou que a inflação continua sendo a principal preocupação da autoridade monetária. O documento esfriou as apostas de corte de juros em março, mantendo o ambiente de cautela nos mercados globais.